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domingo, 3 de setembro de 2017
sábado, 19 de agosto de 2017
domingo, 7 de maio de 2017
Tecnologia pode criar elite de super-humanos e massa de 'inúteis', diz autor de best-seller
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Os avanços em tecnologia, genética e inteligência artificial podem transformar a desigualdade econômica em desigualdade biológica? O autor e historiador Yuval Noah Harari se fez essa pergunta.
Professor de História na Universidade Hebraica de Jerusalém, ele estuda o passado para olhar para o futuro. Autor de dois best-sellers, Sapiens: Uma breve história da humanidade (editora L&PM)e Homo Deus: Uma breve história do amanhã (editora Companhia das Letras), Harari foi entrevistado pelo programa The Inquiry, da BBC, sobre a possibilidade de a tecnologia alterar o mundo e a espécie humana.
Leia o depoimento do professor à BBC:
"A desigualdade existe há no mínimo 30 mil anos. Os caçadores-coletores eram mais igualitários do que as sociedades subsequentes. Eles tinham poucas propriedades, e propriedade é um pré-requisito para desigualdade de longo prazo. Mas até eles tinham hierarquias.
Nos séculos 19 e 20, porém, algo mudou. Igualdade tornou-se um valor dominante na cultura humana em quase todo o mundo. Por quê?
Foi em parte devido à ascensão de novas ideologias como o humanismo, o liberalismo e o socialismo.
Mas também se tratava de mudanças tecnológicas e econômicas - que estavam ligadas a essas novas ideologias, claro.
De repente, a elite começou a precisar de um grande número de pessoas saudáveis e educadas para servir como soldados nos exércitos e como trabalhadores nas fábricas.
Os governos não forneciam educação e vacinação porque eram bondosos. Eles precisavam que as massas fossem úteis. Mas agora isso está mudando novamente.
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Os melhores exércitos da atualidade demandam poucos soldados, mas altamente treinados e com equipamentos de alta tecnologia.
As fábricas também estão cada vez mais automatizadas.
Esse é um dos motivos pelos quais poderemos - num futuro não tão distante - ver a criação das sociedades mais desiguais que já existiram na história humana. E há outros motivos para temer esse futuro.
Com rápidos avanços em biotecnologia e bioengenharia, nós podemos chegar a um ponto em que, pela primeira vez na história, desigualdade econômica se torne desigualdade biológica.
Até agora, humanos tinham controle sobre o mundo ao seu redor. Eles podiam controlar rios, florestas, animais e plantas. Mas eles tinham muito pouco controle do mundo dentro deles.
Eles tinham capacidade limitada de manipular seus próprios corpos, cérebros e mentes. Eles não podiam evitar a morte. Talvez esse não seja sempre o caso.
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Há duas maneiras principais de aprimorar humanos: ou você altera algo em sua estrutura biológica por meio de alteração de seu DNA, ou - o jeito mais radical - você combina partes orgânicas e inorgânicas, talvez conectando diretamente cérebros e computadores.
Os ricos - ao adquirir tais melhorias biológicas - poderiam se tornar literalmente melhores que os demais: mais inteligentes, saudáveis e com vidas mais longas.
Nesse ponto, será facil que essa classe "aprimorada" tenha poder. Pense desta forma: no passado, a nobreza tentou convencer as massas que eles eram superiores a todos os outros e que deveriam deter o poder. No futuro que estou descrevendo, eles realmente serão superiores às massas.
E como eles serão melhores que nós, fará mais sentido ceder a eles o poder e a prerrogativa de tomada de decisões.
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Podemos também constatar que a ascensão da inteligência artificial - e não apenas automação - pode significar que grandes contingentes de pessoas, em todos os tipos de emprego, simplesmente perderão sua utilidade econômica.
Os dois processos casados - aprimoramento humano e ascensão de inteligência artificial - podem resultar na separação da humanidade em uma pequena classe de super-humanos e uma gigantesca subclasse de pessoas "inúteis".
Eis um exemplo concreto: pense no mercado de transporte.
Há centenas de motoristas de caminhões, táxis e ônibus no Reino Unido. Cada um deles comanda uma pequena parte do mercado de transporte, e todos ganham poder político em função disso. Eles podem se sindicalizar e, se o governo faz algo que não gostam, eles podem fazer uma greve e travar todo o sistema.
Agora, avance 30 anos no tempo. Todos os veículos conduzem a si próprios e uma corporação controla o algoritmo que comanda todo o mercado de transporte.
Todo o poder econômico e político previamente compartilhado por milhares agora está nas mãos de uma única corporação.
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Depois que você perde sua importância econômica, o Estado perde ao menos um pouco do incentivo de investir em saúde, educação e bem-estar.
Seu futuro dependeria da boa vontade de uma pequena elite.
Talvez haja boa vontade mas, em tempo de de crise - como uma catástrofe climática -, seria muito fácil te descartar.
Tecnologia não é determinista. Ainda podemos fazer algo para lidar com tudo isso. Mas acho que deveríamos estar cientes de que descrevo um futuro possível. Se não gostamos dessa possibilidade, precisamos agir antes que seja tarde.
Existe mais um passo possível no caminho rumo à desigualdade previamente inimaginável.
A curto prazo, a autoridade pode se centrar em uma pequena elite que detenha e controle os algoritmos e os dados que os alimentam. A longo prazo, porém, a autoridade poderá se transferir completamente dos humanos aos algoritmos.
Quando uma inteligência artificial for mais inteligente que nós, toda a humanidade poderá se tornar inútil.
O que aconteceria depois disso? Não temos nenhuma ideia - literalmente não podemos imaginar. Como poderíamos? Estamos falando de uma inteligência muito maior do que a que a humanidade possui."
Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/geral-39752430
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
O segredo da evolução animal
É uma das mais intrigantes perguntas já feitas sobre a biologia: o que fez com que alguns organismos abandonassem a simplicidade da vida unicelular, seguida com rigor durante bilhões de anos, e evoluíssem para atingir a complexidade vista no reino animal hoje? Foi um golpe de sorte? Acaso? Ou algo mais aconteceu? Segundo um grupo de pesquisadores americanos, a mudança estava no ar. Literalmente.
Resultados de análises de rochas colhidas em sedimentos antigos na China, na Austrália, no Canadá e nos Estados Unidos mostram que o momento em que o reino animal deu seus primeiros passos coincidiu com um brutal aumento da presença de oxigênio no ar.
Os pesquisadores liderados por Timothy Lyons, da Universidade da Califórnia em Riversidade, e Noah Planavsky, da Universidade Yale, investigaram especificamente a presença de certas variedades de cromo nessas amostras. Sabe-se que a presença de oxigênio no ar oxida esse elemento, deixando uma “assinatura” na rocha que permite estimar sua quantidade na atmosfera.
As rochas analisadas tinham entre 1,8 bilhão e 800 milhões de anos. Ou seja, elas correspondiam a um período em que não havia ainda vida animal em nosso planeta. Não por acaso, esse período é vulgarmente referido pelos pesquisadores como “o bilhão aborrecido”.
Por outro lado, como uma espécie de contraprova, eles testaram também sedimentos mais recentes, com idades entre 445 milhões e 90 milhões de anos, período em que já se sabe que a presença de oxigênio na atmosfera era significativa (dinossauro respirava pra caramba!).
As medições confirmaram isso sobre os períodos mais recentes, mostrando a validade da técnica, mas também revelaram um fato importante sobre o “bilhão aborrecido” — a presença de oxigênio no ar naquela época não chegava a 0,1% da quantidade atual. Só para lembrar, hoje esse gás perfaz cerca de 20% da nossa atmosfera (os outros 80% são nitrogênio, e demais gases figuram apenas em quantidades-traço).
COINCIDÊNCIA OU CONSEQUÊNCIA
O que há de tão interessante nisso? Não é tanto a relação entre oxigênio e vida animal, que já é meio óbvia. (Tente ficar sem respirar.) Já sabíamos que a manutenção de seres multicelulares complexos exige um metabolismo poderoso, que por sua vez, até onde sabemos, obrigatoriamente demanda quantidades significativas de oxigênio.
O que realmente faz os cientistas coçarem a cabeça é o seguinte: uma vez que você tem quantidades significativas de oxigênio na atmosfera, o salto para vida complexa é natural, ou foi preciso também uma grande dose de sorte evolutiva para acontecer?
Se os cientistas tivessem determinado que o “bilhão aborrecido” teve quantidades significativas de oxigênio, seríamos obrigados a imaginar que o salto para a vida complexa foi um golpe de sorte genético, que aconteceu muito tempo depois que as condições se mostraram favoráveis a ela.
Em vez disso, os pesquisadores verificaram que o aumento de oxigênio acontece praticamente na mesma época em que os fósseis animais começam a proliferar pela Terra. Uma coisa parece estar de fato ligada à outra. O desafio da vida complexa é meramente o desafio da oxigenação da atmosfera. A julgar pela coincidência no tempo, o desafio evolutivo, em si, é trivial.
A essa altura, você deve imaginar onde quero chegar. O trabalho sugere que, onde há vida simples e há fotossíntese produzindo oxigênio a ponto de ele se acumular na atmosfera, o surgimento da vida complexa parece ser uma consequência quase inevitável. A natureza, ao que tudo indica, privilegia a complexidade.
Se o trabalho, publicado na última edição da revista “Science”, estiver certo, temos aí uma grande chance de que muitos planetas espalhados pelo Universo também tenham vida animal. O surgimento de criaturas multicelulares complexas não parece mais ser um improvável acidente evolutivo, mas apenas o desfecho natural de um processo bioquímico relativamente simples. (Só para torturar você ainda mais, saiba que existem evidências de que a atmosfera de Marte chegou a ser altamente oxigenada em seu passado remoto, quando ele era ainda quente e úmido.)
Vida complexa, claro, não é garantia de vida inteligente. Mas trata-se de um passo essencial para chegar lá. (Eu, pelo menos, nunca vi uma bactéria inteligente. E o Doutor Bactéria não conta.)
Claro, uma coisa que não sabemos é por que teria levado tanto tempo para a Terra acumular oxigênio no ar. Ele é fabricado pela fotossíntese, uma invenção antiga implementada por bactérias mais de 3 bilhões de anos atrás. Os cientistas acreditam que o primeiro grande momento de oxigenação do ar se deu 2,3 bilhões de anos atrás, mas não teria perdurado. O que teria acontecido cerca de 800 milhões de anos atrás que levou a uma nova elevação do oxigênio, desta vez um caminho sem volta? Ninguém sabe ao certo.
De toda forma, fico só a imaginar quando, em coisa de uma década, os cientistas começarem a achar mundos fora do Sistema Solar com atmosferas ricas em oxigênio…
Fonte: www.uol.com.br
Os pesquisadores liderados por Timothy Lyons, da Universidade da Califórnia em Riversidade, e Noah Planavsky, da Universidade Yale, investigaram especificamente a presença de certas variedades de cromo nessas amostras. Sabe-se que a presença de oxigênio no ar oxida esse elemento, deixando uma “assinatura” na rocha que permite estimar sua quantidade na atmosfera.
As rochas analisadas tinham entre 1,8 bilhão e 800 milhões de anos. Ou seja, elas correspondiam a um período em que não havia ainda vida animal em nosso planeta. Não por acaso, esse período é vulgarmente referido pelos pesquisadores como “o bilhão aborrecido”.
Por outro lado, como uma espécie de contraprova, eles testaram também sedimentos mais recentes, com idades entre 445 milhões e 90 milhões de anos, período em que já se sabe que a presença de oxigênio na atmosfera era significativa (dinossauro respirava pra caramba!).
As medições confirmaram isso sobre os períodos mais recentes, mostrando a validade da técnica, mas também revelaram um fato importante sobre o “bilhão aborrecido” — a presença de oxigênio no ar naquela época não chegava a 0,1% da quantidade atual. Só para lembrar, hoje esse gás perfaz cerca de 20% da nossa atmosfera (os outros 80% são nitrogênio, e demais gases figuram apenas em quantidades-traço).
COINCIDÊNCIA OU CONSEQUÊNCIA
O que há de tão interessante nisso? Não é tanto a relação entre oxigênio e vida animal, que já é meio óbvia. (Tente ficar sem respirar.) Já sabíamos que a manutenção de seres multicelulares complexos exige um metabolismo poderoso, que por sua vez, até onde sabemos, obrigatoriamente demanda quantidades significativas de oxigênio.
O que realmente faz os cientistas coçarem a cabeça é o seguinte: uma vez que você tem quantidades significativas de oxigênio na atmosfera, o salto para vida complexa é natural, ou foi preciso também uma grande dose de sorte evolutiva para acontecer?
Se os cientistas tivessem determinado que o “bilhão aborrecido” teve quantidades significativas de oxigênio, seríamos obrigados a imaginar que o salto para a vida complexa foi um golpe de sorte genético, que aconteceu muito tempo depois que as condições se mostraram favoráveis a ela.
Em vez disso, os pesquisadores verificaram que o aumento de oxigênio acontece praticamente na mesma época em que os fósseis animais começam a proliferar pela Terra. Uma coisa parece estar de fato ligada à outra. O desafio da vida complexa é meramente o desafio da oxigenação da atmosfera. A julgar pela coincidência no tempo, o desafio evolutivo, em si, é trivial.
A essa altura, você deve imaginar onde quero chegar. O trabalho sugere que, onde há vida simples e há fotossíntese produzindo oxigênio a ponto de ele se acumular na atmosfera, o surgimento da vida complexa parece ser uma consequência quase inevitável. A natureza, ao que tudo indica, privilegia a complexidade.
Se o trabalho, publicado na última edição da revista “Science”, estiver certo, temos aí uma grande chance de que muitos planetas espalhados pelo Universo também tenham vida animal. O surgimento de criaturas multicelulares complexas não parece mais ser um improvável acidente evolutivo, mas apenas o desfecho natural de um processo bioquímico relativamente simples. (Só para torturar você ainda mais, saiba que existem evidências de que a atmosfera de Marte chegou a ser altamente oxigenada em seu passado remoto, quando ele era ainda quente e úmido.)
Vida complexa, claro, não é garantia de vida inteligente. Mas trata-se de um passo essencial para chegar lá. (Eu, pelo menos, nunca vi uma bactéria inteligente. E o Doutor Bactéria não conta.)
Claro, uma coisa que não sabemos é por que teria levado tanto tempo para a Terra acumular oxigênio no ar. Ele é fabricado pela fotossíntese, uma invenção antiga implementada por bactérias mais de 3 bilhões de anos atrás. Os cientistas acreditam que o primeiro grande momento de oxigenação do ar se deu 2,3 bilhões de anos atrás, mas não teria perdurado. O que teria acontecido cerca de 800 milhões de anos atrás que levou a uma nova elevação do oxigênio, desta vez um caminho sem volta? Ninguém sabe ao certo.
De toda forma, fico só a imaginar quando, em coisa de uma década, os cientistas começarem a achar mundos fora do Sistema Solar com atmosferas ricas em oxigênio…
Fonte: www.uol.com.br
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