Mostrando postagens com marcador nutrição. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador nutrição. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 22 de junho de 2012
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
A dieta (re)acertada
Grande parte dos médicos e nutricionistas tem disseminado receitas erradas para perder peso. Um simulador na internet que leva em conta mudanças no metabolismo do corpo desfaz alguns mitos sobre programas de emagrecimento.
Por: Cássio Leite Vieira
Segundo estudo norte-americano, fórmulas aparentemente fáceis de dieta, como o corte de 500 calorias/dia para perder peso de forma regular, estão equivocadas, pois ignoram as mudanças no metabolismo corporal. (foto: Sxc.hu/ typofi)
No mundo, há 0,5 bilhão de obesos. Esse é um dos números (aterrorizadores) estampados na prestigiosa revista científica The Lancet em recente edição especial sobre essa epidemia global. Entre tantos quadros e cifras (e cenários pessimistas), umartigo se destaca: grande parte dos médicos e nutricionistas tem disseminado receitas erradas para perder peso.
É provável que o leitor já tenha escutado (ou sido submetido a) fórmula aparentemente fácil de dieta: corte 500 quilocalorias/dia (usualmente, diz-se apenas 500 calorias/dia) para emagrecer. Com isso, acredita-se, a pessoa perderá peso de forma regular (aproximadamente, 0,5 kg/semana).
Os autores do artigo são taxativos: essa suposição está equivocada, porque ignora as mudanças do metabolismo do corpo com a alteração no que se come. Pior, dizem eles, leva a expectativas drasticamente errôneas sobre o quanto se emagrece.
O simulador está disponível na internet e a interface é razoavelmente amigável
As conclusões de Kevin Hall, dos Institutos Nacionais de Saúde (EUA), e colegas estão baseadas em um programa de computador que, segundo eles, leva em conta tanto o metabolismo quanto outros fatores na hora de planejar a dieta.
Para tornar o cenário mais visível, exemplo prático: na ‘velha’ (e atual) forma de fazer as contas, com o corte de 250 calorias/dia (equivalente a uma barra de chocolate), em três anos, a pessoa perderá cerca de 35 kg. Segundo o novo modelo, essa cifra seria algo como 11 kg, perdidos assim: metade no primeiro ano e o restante ao final dos outros dois.
O lado prático do artigo é que esse simulador está disponível (em inglês) na internet. A interface é razoavelmente amigável – é bem verdade que a coisa foi feita mais para profissionais da saúde. Com alguma paciência, é possível usar o programa. Coloca-se ali peso atual, meta desejada, nível de atividade física, sexo, idade, altura, tempo desejado da dieta etc. e, em segundos, o programa devolve tabelas de calorias, gráficos, entre outros dados.
Liderança governamental
Uma pessoa é considerada obesa caso seu índice de massa corporal – IMC: peso (em kg) dividido pela altura (em metros) elevada ao quadrado – seja maior que 30 kg/m2 – de 25 a 29,9 kg/m2 a pessoa tem sobrepeso. Normal: 18,5 a 24,9 kg/m2. Abaixo do peso ideal (por vezes, magreza preocupante): abaixo de 18,5.
- Há hoje 500 milhões de pessoas obesas no planeta. A epidemia mundial de obesidade foi desencadeada por fatores como aumento da renda ‘per capita’, maior consumo de alimentos não saudáveis e mais uso de carros. (foto: Tony Alter/ Flickr – CC BY 2.0)
Os números da obesidade mundial espantam por seu peso e volume: i) 500 milhões de pessoas são obesas no planeta; ii) cerca de 1,5 bilhão têm sobrepeso; iii) 170 milhões de crianças estão com sobrepeso ou são obesas; iv) de 2% a 6% dos custos dos serviços de saúde em muitos países estão ligados à obesidade; v) nos Estados Unidos e na região ocidental da Austrália, a obesidade já passou o tabaco em mortes por causas evitáveis; vi) em 2030, serão 65 milhões e 11 milhões de obesos a mais nos Estados Unidos e no Reino Unido, respectivamente, aumentando casos de diabetes, doenças cardíacas, derrames e câncer, com custo de bilhões de dólares em saúde pública para cada uma dessas nações.
A (pequena) parte boa do quadro é que França, Suécia e Austrália têm relatado baixa na taxa de obesidade infantil.
Segundo os autores, a obesidade é um fenômeno que se iniciou nas décadas de 1970 e 1980, em países de alta renda per capita. Alguns fatores desencadeadores, além do aumento da renda: maior consumo de alimentos (não saudáveis), mais uso de carros, elevação de empregos em que atividade física praticamente não é necessária. Desde então, a epidemia mundial vem crescendo.
No Brasil, as taxas de obesidade têm aumentado consideravelmente para mulheres de baixa renda
Em países de alta renda per capita, a obesidade é mais prevalente em pobres, de ambos os sexos, diferentemente do que se observa em países de baixa renda, onde o fenômeno se inicia em adultos de meia idade (especialmente, mulheres) de centros urbanos mais desenvolvidos, para depois se espalhar pelo resto da população, à medida que cresce o produto interno bruto.
O aumento da obesidade em países de média e baixa renda cria um duplo problema: obesos de um lado, mal nutridos de outro. No Brasil, diz o artigo, as taxas de obesidade têm aumentado consideravelmente para mulheres de baixa renda. Mas o país ganha elogio: “Alguns países, notavelmente o Brasil, têm dado passos substanciais em programas nacionais de monitoramento, restringindo o mercado para crianças e melhorando a comida nas escolas.”
http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2011/286/a-dieta-re-acertada
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
A proibição dos medicamentos emagrecedores no Brasil
Finalmente a novela da proibição dos medicamentos emagrecedores chegou ao fim. Foram muitos meses de debates e argumentação da maioria das sociedades médicas que cuidam dos pacientes obesos para que a Anvisa reavaliasse sua posição inicial de proibir todos os medicamentos emagrecedores com ação no sistema nervoso central. Ontem, dia 04 de outubro, o veredito foi revelado e a decisão poupou a sibutramina e aboliu os demais redutores de apetite conhecidos como derivados da anfetamina, o femproporex, a anfepramona e o mazindol.
Os medicamentos que tiveram seus registros cancelados são comercializados no Brasil há mais de 30 anos e são conhecidos por seus potentes efeitos redutores do apetite e estimulantes do sistema nervoso central. Com tanto tempo de uso, esses medicamentos são bem conhecidos e nada deles nos escapa da observação clínica. Sabemos muito bem quem pode ou não utilizá-los e os próprios pacientes fazem a seleção natural da possibilidade de uso, uma vez que seus efeitos colaterais são bem definidos.
O uso dos derivados anfetamínicos sofreu redução significativa após a descoberta da sibutramina há cerca de 15 anos e principalmente após a proibição de sua associação com os ansiolíticos. Atualmente, esses medicamentos tem sua indicação restrita a um pequeno número de pacientes que os tolera muito bem e com um efeito emagrecedor muito bom. Infelizmente, sabemos que seu uso continua ocorrendo sob a forma de prescrições irregulares, sem uma vigilância adequada e com o aval da pouca informação de alguns pacientes.
Quando discutimos as formas ideais de perda de peso, nós descobrimos que elas são de muito difícil execução. Ninguém prefere tomar remédios, porque gosta deles. A maioria das pessoas que toma remédios para emagrecer declara não conseguir seguir um plano alimentar e mudar estilo de vida. A obesidade é uma doença crônica como o diabetes ou a hipertensão arterial. Não se pode ter tanto preconceito com o tratamento medicamentoso da obesidade como vem ocorrendo. É bem certo que há erros médicos, de vigilância e dos próprios pacientes. Mesmo assim, esses pacientes precisam de tratamento e para muitos deles, esse tratamento só é possível com o uso de medicamentos.
Nós entendemos que a proibição não resolverá o problema do abuso de medicamentos para emagrecer. O uso indevido e clandestino continuará ocorrendo. A decisão da Anvisa punirá justamente quem segue os ditames da agência reguladora Inicialmente a Anvisa estava firmemente decidida a proibir todos os medicamentos emagrecedores disponíveis no Brasil. Após grande reação da classe médica envolvida no tratamento da obesidade, resolve proibir os derivados da anfetamina.
O problema da obesidade deve ser encarado com maior cuidado e sem tanto preconceito. Precisamos conseguir fazer vigilância. Não nos pergunte como, pois não sabemos. Não é esse o nosso papel. O nosso trabalho foi sempre multidisciplinar e a Nutrição sempre teve um destaque em nossa equipe. Sabemos muito bem da grande dificuldade que enfrentamos para o tratamento da obesidade. Não podemos abrir mão dos medicamentos e tratar a obesidade apelando apenas para a força de vontade dos nossos pacientes, como se eles fosses obesos por falta de força de vontade. A história é muito mais complexa e envolve os tempos modernos, a política de alimentos, a indústria alimentícia, o trabalho nas empresas e a estrutura das famílias. É muito simplista dizer que médicos e pacientes estão errados e devem ser punidos com a suspensão dos medicamentos. Porque usam mal, porque são irresponsáveis, porque não tem força de vontade. Precisamos educação nas escolas, regras mais rigorosas à indústria de alimentos e de uma legislação que pare de punir os pacientes e seus médicos e enfrentem o problema da obesidade em todas as suas vertentes.
Novas evidências dos malefícios dos suplementos vitamínicos
Uma a uma das vitaminas em cápsulas vem se revelando como um grande equívoco quando o assunto é prevenção de doenças. Agora é a vez da vitamina E. Ela acaba de sofrer mais um duro golpe em sua credibilidade como suplemento vitamínico ao ser associada a um aumento do risco de câncer de próstata.
Acaba de ser publicado no Journal of American Medical Association, JAMA, os resultados de um grande estudo multicêntrico chamado SELECT. O estudo avaliou 35.000 homens durante sete anos com o objetivo de confirmar a hipótese de que a vitamina E e o Selênio pudessem agir na prevenção do câncer de próstata. Os resultados foram diametralmente opostos à hipótese inicial pois houve um aumento significativo dos casos desse tipo de câncer nos homens que utilizavam suplemento de vitamina E quando comparados ao grupo que recebeu placebo.
O Selênio não foi poupado nesse trabalho científico, pois um grupo de 8000 pacientes usou esse suplemento, também com a expectativa de ser protetor. Mais uma decepção. O Selênio também não foi protetor e foi associado a um maior risco de câncer de próstata, embora sem a força estatística demonstrada pelo grupo que recebeu a vitamina E.
Esses resultados não são nenhuma novidade. Em 2005 a maior vedete das vitaminas antioxidantes já havia sofrido um grande abalo, quando um estudo publicado na revista Annals of Internal Medicine, analisando 136.000 pacientes, revelou que doses iguais ou superiores a 400UI de vitamina E poderiam aumentar a taxa de mortalidade por todas as causas e deveriam ser evitadas.
Para reforçar o coro contra os suplementos vitamínicos, em fevereiro de 2007, uma grande revisão de 385 trabalhos científicos com 232.600 pacientes foi publicada no mesmo jornal do estudo SELECT, avaliando o efeito antioxidante dos suplementos vitamínicos sobre a taxa de mortalidade por doenças em geral. O resultado só veio confirmar os estudos anteriores: “o tratamento com beta caroteno, vitamina A e vitamina E pode aumentar a taxa de mortalidade... Não há evidência de que a vitamina C possa aumentar a longevidade... O papel potencial do selênio ainda necessita de futuros estudos”, informava o artigo nas palavras de seus autores.
Esses resultados são contundentes em revelar que a história do ditado “ se não fizer bem, mal não faz” é totalmente furada. É preciso uma maior cautela das prescrições médicas de vitaminas, conscientização das pessoas sobre os riscos desses suplementos e rigor das agências reguladoras na legislação do uso dos suplementos e suas propagandas. Já está na hora de todos esses segmentos da sociedade - médicos, pacientes e agências reguladoras – entenderem que a aura de inofensivos dos suplementos vitamínicos não passa de um grande engano.
Fonte:
http://comersemculpa.blog.uol.com.br/domingo, 9 de outubro de 2011
Como solucionar a crise da obesidade
| Apesar de a ciência ter revelado muito sobre os processos metabólicos que influenciam o peso, a solução para esse desafio pode estar no estudo do comportamento social | ||||||
| por David H. Freedman | ||||||
De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças de Atlanta (CDC/USA), um terço dos adultos é obeso, outro terço está com sobrepeso e, a cada ano, os americanos engordam mais. Um estudo publicado no periódico Journal of the Adereçam Medical Association indicou que a obesidade é responsável por mais de 160 mil “excessos” de mortes por ano no país. Segundo pesquisadores da George Washington University, uma pessoa obesa custa mais de US$ 7 mil por ano para a sociedade, devido à perda de produtividade e custos adicionais com tratamentos médicos. Os gastos com cuidados de saúde ao longo da vida de uma pessoa com excesso de peso de 30 quilos ou mais somam US$ 30 mil, dependendo da etnia e do sexo. Tudo isso confere urgência a essa questão: por que é tão difícil emagrecer e se manter no peso ideal? A resposta não parece difícil. A fórmula básica para a perda de peso é simples e bem conhecida: consumir menos calorias do que se gasta. Mas se realmente fosse fácil, a obesidade não seria o principal problema de saúde relacionado ao estilo de vida. Para uma espécie que evoluiu para consumir alimentos altamente energéticos – em um ambiente onde a fome era uma ameaça constante – perder peso e permanecer magro em meio à abundância, alimentado por mensagens de marketing e por calorias vazias e baratas, realmente é difícil. A maior parte das pessoas que tenta fazer um regime parece falhar a longo prazo – uma revisão de 31 estudos sobre dietas de redução de peso, feita pela Adereçam Psychological Association, em 2007, identificou que, após dois anos, cerca de dois terços das pessoas acabam pesando mais que antes do início do regime. A ciência tem aperfeiçoado suas armas nessas batalhas. A agência americana National Institutes of Health (NIH) gasta cerca de US$ 800 milhões por ano em estudos sobre os fatores metabólicos, genéticos e neurológicos da obesidade. Em seu orçamento para pesquisas em obesidade de 2011, o NIH indicou os caminhos mais promissores, nesta ordem: uso de modelos animais para a determinação das funções de proteínas em tecidos específicos; estudo das vias de sinalização complexas no cérebro e entre o cérebro e outros órgãos; identificação de variações genéticas relacionadas à obesidade e dos mecanismos epigenéticos que regulam o metabolismo. As pesquisas têm trazido informações importantes sobre como as proteínas interagem no organismo para extrair e distribuir a energia dos alimentos e produzir e armazenar gordura; como o cérebro indica que estamos com fome; por que alguns de nós parecem ter nascido com maior probabilidade de ser obesos e se a exposição a determinados alimentos e a substâncias tóxicas pode modificar ou mitigar alguns desses fatores. Os estudos também têm sugerido à indústria farmacêutica diversos alvos potenciais para o desenvolvimento de medicamentos. Mas, ainda assim, sem sucesso. Talvez um dia a biologia desenvolva uma solução que gerencie o metabolismo para queimar mais calorias ou modifique desejos e assim passemos a preferir, por exemplo, brócolis a bifes. Mas, até lá, a melhor estratégia podem ser métodos comportamentais-psicológicos desenvolvidos ao longo dos últimos 50 anos. Centenas de estudo comprovaram sua eficiência. Como Chegamos Aqui O desespero das pessoas obesas e com sobrepeso está refletido no fluxo constante de conselhos despejados por fontes tão diferentes quanto revistas científicas, best-sellers, jornais ou blogs. Nosso apetite por qualquer tipo de dieta de emagrecimento ou artifício que traga a promessa da perda rápida de peso parece tão insaciável quanto o desejo por alimentos que engordam. Gostamos de acreditar em soluções engenhosas indicadas pelos meios de comunicação, destacando novas descobertas científicas, em manchetes sucessivas, como se fossem soluções. Mas isso não adianta, pois, com frequência, elas parecem estar em conflito. Um estudo publicado na Adereçam Journal of Clinical Nutrition, por exemplo, constatou uma associação entre maior consumo de laticínios e perda de peso. Mas uma análise posterior, que saiu na edição de maio de 2008, da Nutrition Reviews não confirmou essa associação. Um artigo publicado na Journal of Occupational and Environmental Medicine de janeiro de 2010 sugere a associação entre estresse no trabalho e obesidade. Mas, de acordo com outro artigo, publicado na Obesity de outubro de 2010, essa relação também não existe. Parte das dificuldades nessa área de saúde pública é que os pesquisadores parecem os cegos da parábola onde se tenta conhecer um elefante tateando diferentes partes do corpo do animal. O fato é que as conclusões de pesquisas individuais são apenas peças de um quebra-cabeça. Quando as pesquisas são analisadas em conjunto, fica claro que a solução para o problema da obesidade não pode ser obtida com a indicação de consumir esse ou aquele tipo de alimento, ou pela adoção de outra ação simples. Muitos fatores contribuem para esse problema: o excesso de peso está relacionado, em parte, ao ambiente (hábitos alimentares de amigos, tipo de alimento mais disponível em casa e lojas locais, oportunidade para se movimentar no trabalho). O complemento disso pode estar na biologia (algumas pessoas podem ter predisposição genética para armazenamento maior de gordura, limites de saciedade maiores e paladar mais sensível). E, em parte ainda, por aspectos econômicos (alimentos com alto teor calórico mas níveis reduzidos de nutrientes são mais baratos que produtos frescos). E isso é também obra do marketing – as empresas de alimentos são mestres em explorar a natureza social humana e de nossa “programação” evolutiva, produzindo alimentação não saudável, mas rentável. É por tudo isso que soluções simplistas falham. ESFORÇO E RECOMPENSA Em dietas de emagrecimento e exercícios físicos, contamos com a força de vontade para superar impulsos de comer em excesso. Assim, desfrutamos da recompensa de ficarmos esbeltos e atraentes para nos manter no caminho. É gratificante perder peso, mas infelizmente o tempo trabalha contra nós. À medida que o peso diminui temos mais fome, com desejos mais intensos, e também exaustão com os exercícios físicos. Enquanto isso, a perda de peso inevitavelmente desacelera porque o metabolismo tenta compensar a privação, tornando-se mais parcimonioso com as calorias. Nessas condições, a punição por seguirmos com a dieta de perda de peso se torna cada vez mais dura e constante, afastando a recompensa esperada para o futuro. “Essa lacuna entre o reforço para se alimentar mais, e talvez perder peso meses mais tarde, é um desafio enorme”, avalia Sungwoo Kahng, pesquisador da área de neurocomportamento da faculdade de medicina da Johns Hopkins University e do Instituto Kennedy Krieger, nos Estados Unidos. Até o momento, a forma mais bemsucedida de perder peso, pelo menos uma quantidade moderada dele, é manter essa perda, com uma dieta equilibrada e prática de exercícios físicos, combinada com programas de mudanças de comportamento. A abordagem comportamental envolve pequenos ajustes nos hábitos alimentares e na prática de exercícios físicos, com o incentivo de pessoas próximas e do ambiente. As pesquisas defendendo abordagem behaviorista foram iniciadas há mais de meio século, época do desenvolvimento da análise comportamental proposta pelo psicólogo B. F. Skinner, da Harvard University. Esse campo é baseado na ideia de que os cientistas não podem saber o que está acontecendo no cérebro de uma pessoa, e, mesmo a ressonância magnética funcional (o estado da arte para essa exploração) é insuficiente para isso. Mas os pesquisadores podem observar e medir, de forma objetiva e reproduzível, o comportamento físico e o ambiente em que ele ocorre, e isso permite identificar as relações entre o ambiente e o comportamento. A eficácia das intervenções comportamentais tem sido amplamente demonstrada para uma grande variedade de doençase problemas de comportamento. Uma análise publicada na Journal of Clinical Child & Adolescent Psychology em 2009 concluiu que “a intervenção comportamental precoce e intensiva deve ser a intervenção de escolha para crianças com autismo”. Uma revisão sistemática, patrocinada pelo painel independente de especialistas U.S. Preventive Services Task Force, observou que até mesmo um aconselhamento comportamental breve é capaz de reduzir entre 13% e 34% o número de bebidas ingeridas por dependentes por quatro anos. Revisões da literatura têm encontrado resultados similares sugerindo o sucesso do uso de intervenções comportamentais em desafios tão diversos como a redução da gagueira, aumento do desempenho atlético e melhora da produtividade no trabalho. Para combater a obesidade, os analistas comportamentais examinam as influências ambientais relacionadas ao problema: que fatores externos levam as pessoas a comer demais ou consumir alimentos apenas calóricos e quais encorajam uma alimentação saudável? Em que situações os comportamentos e os comentários dos demais afetam a alimentação não saudável? O que parece efetivamente encorajar uma alimentação saudável em longo prazo? O que pode reforçar a prática de exercícios físicos? | ||||||
Desde a década de 60, os estudos focados em aspectos comportamentais sobre a obesidade e dietas de redução de peso reconheceram algumas condições básicas que parecem relacionadas a uma maior chance de perder peso e manter o emagrecimento: mensurar e registrar de forma rigorosa as calorias consumidas, praticar exercícios físicos; adotar mudanças pequenas e graduais, evitando alterações drásticas; consumir uma dieta equilibrada, com pouca gordura e açúcar; definir objetivos claros e modestos, focando mudanças de hábitos de vida em vez de dietas de emagrecimento de curto prazo e, especialmente, participar de um grupo de apoio para receber incentivo e reconhecimento do esforço despendido. Se essas estratégias soam como conselhos antigos e bem conhecidos é porque têm sido popularizadas por quase meio século pelos Vigilantes do Peso. Fundado em 1963 como forma de apoio a pessoas que fazem dietas de redução de peso, esse grupo adicionou em suas práticas outras abordagens e conselhos de acordo com dados de estudos comportamentais e desenvolveu- se como um “programa de mudança de comportamento”. “Quaisquer que sejam os detalhes de como perder peso, a base é sempre a mudança de comportamento”, resume a pesquisadora da área de nutrição e chefe científico dos Vigilantes do Peso, Karen Miller-Kovach, para quem “isso é uma habilidade aprendida”. Estudos recentes voltaram a utilizar a abordagem comportamental para a perda de peso. Uma revisão da literatura de 2003, solicitada pelo U.S. Department of Health and Human Services, concluiu que “o aconselhamento e as intervenções comportamentais proporcionaram graus moderados de perda de peso, sustentáveis por pelo menos um ano” – e um ano é uma eternidade no mundo do emagrecimento. Uma análise de oito programas populares de redução de peso, publicada em 005 pelos Annals of Internal Medicine, descobriu que o programa Vigilantes do Peso (na época, em sua revisão pré-2010) é o único eficaz, possibilitando perda de peso de 3% mantida durante os dois anos do estudo. Neste ínterim, um estudo publicado na Journal of the American Medical Association (Jama), em 2005, verificou que os Vigilantes do Peso – junto com a dieta Zone, que também recomenda uma alimentação balanceada com proteínas, carboidratos e gorduras – obtiveram o maior percentual (65%) de adesão durante um ano, em relação a outras dietas. Os autores da pesquisa destacaram que “o nível de adesão foi o fator determinante dos benefícios clínicos, mais que o tipo de dieta”. Um estudo de 2010 publicado na Journal of Pediatrics constatou que, após um ano, crianças que passaram por terapia comportamental mantiveram índice de massa corporal (IMC) 1,9 a 3,3 vezes inferior ao de crianças que não fizeram a terapia (índice de massa corporal é a relação numérica entre o peso e a altura; IMC igual ou menor que 18,5 indica que a pessoa está com peso abaixo do normal, enquanto um valor superior a 25 é considerado peso acima do normal). Algumas evidências sugerem que “essas melhorias podem ser mantidas ao longo dos 12 meses após o término do tratamento. Um estudo publicado na Obesity em 2010 observou que os participantes do Take Off Pounds Sensibly (TOPS) – organização, sem fins lucrativos, que utiliza a mudança comportamental para a perda de peso – mantiveram uma redução entre 5% e 7% do seu peso corporal durante os três anos da investigação. Em 2010, a organização britânica Medical Research Council divulgou uma pesquisa de longo prazo demonstrando que os programas baseados em princípios comportamentais têm mais possibilidades de ajudar as pessoas a perder e manter o peso que outras abordagens (esse estudo foi financiado pelo Vigilantes do Peso, mas sem a participação dessa organização). Nos últimos anos, alguns pesquisadores voltaram a atenção para o aprimoramento, ampliação e adequação das técnicas comportamentais, obtendo resultados encorajadores. Michael Cameron, chefe do departamento de pós-graduação em análise do comportamento da Simmons College e membro do corpo docente da Harvard Medical School, por exemplo, está concentrando suas pesquisas nas técnicas comportamentais. Há um ano Cameron desenvolve um estudo com quatro pessoas – em geral analistas comportamentais utilizam grupos pequenos ou mesmo uma única pessoa, para adaptar uma intervenção de forma mais detalhada e observar efeitos individuais – que se reúnem com ele por videoconferências para reforço, avaliação de peso (com a transmissão dos dados por redes sem fio) e terem suas dietas otimizadas. Neste último caso, tanto para reduzir a densidade calórica como para atender a preferências alimentares individuais. Alimentos favoritos são usados como recompensa para a prática do exercício físico. Até agora, as pessoas perderam entre 8% e 20% do peso corporal. Matt Normand, analista do comportamento da University of the Pacific, está pesquisando estratégias para seguir com mais precisão a ingestão e o gasto calórico das pessoas. Entre elas se incluem a coleta de recibos de compra de alimentos, fornecimento de listas de alimentos para ser anotado o que se está consumindo, uso de vários tipos de pedômetros, contadores de passos em caminhadas e outros dispositivos para medir a atividade física. Informações diárias detalhadas sobre fluxo de calorias são oferecidas aos participantes. Segundo um estudo publicado por Normand, três dos quatro voluntários para a pesquisa reduziram a ingestão de calorias para níveis recomendados. Richard Fleming, pesquisador do Shriver Center da University of Massachusetts Medical School's, avalia formas de incentivar pais a orientar seus filhos para escolhas mais saudáveis. Uma das técnicas consideradas úteis pela pesquisa é mostrar para os pais a porção adequada dos diferentes alimentos. Outro truque de sucesso: deixar as crianças escolherem uma recompensa em uma pequena loja de alimentos, enquanto caminham por ela. “As crianças podem realmente responder a essa recompensa por serem ativas”, garante ele. Por que as intervenções comportamentais são efetivas? Segundo Laurette Dubé, que realiza pesquisas na área de marketing e sobre os aspectos psicológicos do estilo de vida na McGill University's Faculty of Management, em nosso meio ambiente, esforços de marketing, sofisticados e onipresentes, alimentam-se da necessidade natural de gratificação sensorial e vulnerabilidade à desinformação. Além disso, a má alimentação e a pouca prática de exercícios físicos observadas em amigos, familiares e colegas servem como exemplo. Essencialmente, as intervenções comportamentais buscam transformar esse ambiente parauma situação em que as necessidades de informações, gratificação e estímulo social encorajem o consumo de alimentos saudáveis e a adoção de exercício físico. “Quando recebemos as mensagens corretas, de forma adequada, temos melhor chance de resistir ao desejo de comer mais que precisamos”, avalia Dubé. Mudança na política Os Vigilantes do Peso, de longe o programa mais popular, conta com apenas 600 mil membros em suas fileiras nos Estados Unidos. Isso significa que menos de um em cada 100 obesos americanos e cerca de uma em cada 200 pessoas com sobrepeso participam de um programa de modificação comportamental formal. Mas a política pública pode estar mudando. O U.S. Surgeon General's Office e o Centers of Disease Control and Prevention (CDC) têm afirmado que as abordagens comportamentais são a principal arma na cruzada contra a obesidade. A campanha contra a obesidade infantil Let's Move, lançada pela primeira-dama americana Michelle Obama, é composta quase inteiramente por recomendações sobre comportamentos que levam à perda de peso, ou seja, estimula a busca por formas de incentivar as crianças a comer alimentos menos calóricos e a se tornarem mais ativas, de forma prazerosa. | ||||||
A recente proposta de proibição da entrega de brinquedos junto com o McLanche Feliz da rede McDonald's, em São Francisco, sugere que as autoridades podem estar se preparando para pressionar a indústria de alimentos contra a contaminação do ambiente com táticas de marketing que colaboram para a obesidade. Para facilitar e tornar mais tentadora a compra de alimentos mais saudáveis, nas áreas mais pobres dos Estados Unidos, as comunidades com maior excesso de peso, a Casa Branca propôs subsidiar os preços de frutas e legumes. O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, está entre os que defendem a modificação dos programas assistenciais, restringindo a compra de bebidas com alto teor de açúcar. Em 2010, foi promulgada a taxação de 6% de impostos sobre as bebidas açucaradas em Washington, DC. A cidade de Nova York também tem oferecido cupons para compra de produtos em mercados de fazendeiros (feiras) para famílias de baixa renda e incentivos às lojas para oferecerem alimentação mais saudável. Especialistas estão tentando pressionar o governo a reescrever os códigos de zoneamento e de construção para garantir que bairros e edifícios favoreçam os pedestres, ciclistas e usuários de escada. Um estudo realizado em 2009, por pesquisadores da Louisiana State University Medical School, identificou que se uma pessoa aumentar em apenas 2,8% o uso de escadas, pode evitar o adicional de uma libra (0.45 kg) de peso por ano. A correlação entre níveis de atividade física e peso saudável é um dos pressupostos mais bem estabelecidos na pesquisa sobre a obesidade, de acordo com William M. Hartman, psicólogo e diretor do programa comportamental Weight Management Program do California Pacific Medical Center, de São Francisco. Aumentar o acesso à terapia comportamental é também um recurso. Muitas pessoas com sobrepeso podem precisar apenas de ferramentas on-line para o monitoramento, suporte e compartilhamento do progresso, que se revelaram moderadamente efetivas em estudos. Outras podem necessitar de intervenções mais intensivas e personalizadas, como as que Cameron desenvolve. O tratamento com a terapia comportamental seria necessário apenas por um ou dois anos para estabelecer novos hábitos alimentares e de exercícios físicos permanentes, e a economia trazida por essa mudança de comportamento pode continuar por toda a vida. Ao menos nos Estados Unidos ainda é cedo para dizer se a população aceitará os esforços do governo para empurrá- -la para escolhas mais saudáveis. Em São Francisco, o plano para proibir o McLanche Feliz provocou reações iradas em uma comunidade conhecida por ser especialmente favorável às iniciativas de saúde pública, e, por isso, o então prefeito, Gavin Newsom, vetou o projeto. Os esforços da campanha Let's Move para a introdução de alimentos mais saudáveis nas cantinas escolares têm sido intensamente criticados como uma grande intrusão. Mesmo com a eventual implementação completa dessas estratégias em todo o país, não há como prever se vão reduzir significativamente a obesidade. A atual taxa de obesidade americana está muito além do que já havia ocorrido no planeta, portanto, uma solução em larga escala será um experimento de mudança de comportamento em massa. fonte: | ||||||
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Nutricionista do Mais Você conta quais são os principais inimigos da dieta
“Para perder peso é preciso uma dieta gostosa, claro que terão algumas restrições. As dietas muito restritivas são perigosas também, pois comer pouco diminui o metabolismo e o corpo começa a estocar gordura. Por isso, quando a pessoa desiste da dieta, às vezes, engorda o dobro”, explica Dani que, em seguida, listou algumas opções para quem busca emagrecer com responsabilidade.
Dieta à base de frutas – Se uma pessoa comer só frutas, vai emagrecer, pois estará trocando refeições com gordura, sal e conservantes por alimentos frescos e normalmente com baixas calorias. Mas abacate, banana, manga também são frutas frescas e possuem muitas calorias se consumidas em grandes quantidades!
Sabe aquele suco de fruta que você adora e prefere ao refrigerante? Ótima substituição, mas lembre-se que c
ada copo possui em média 180 calorias.
Confira algumas receitas à base de frutas: Fermento de Frutas; Sopa de Frutas; Sorvete na Fruta;Salada de Frutas Exótica. Lembre-se de sempre substituir o açúcar pelo adoçante e não cometer exageros.
Dieta à base de líquidos – Este tipo de dieta, apesar de leve, possui armadilhas!
A primeira está relacionada com a quantidade energética do líquido. Sucos com alta densidade de açúcar estimulam o organismo a produzir insulina e esta aumenta o acúmulo de gordura. Outro fator que requer atenção é o fato de não necessitar de mastigação. Isso reflete diretamente na sensação de saciedade. A pessoa fica com fome o tempo todo e este é o momento tentação.
“Não se engane: os diet não podem ser tomados à vontade! Eles só funcionam se tomados como se fossem produtos normais. O açúcar é substituído por outra substância para adoçar e, em alguns casos, dependendo da substância, pode ser provocado o aumento de pressão sanguínea”, destaca a nutricionista.
Veja receitas de sucos: Sucos Energéticos; Suco Boa Memória; Suco Relaxante e Repositor de Energias; Soda Italiana.
Alimentos integrais - O fato de ser integral não faz perder peso. Esses alimentos são mais saudáveis, têm mais minerais, mas possuem a mesma quantidade de calorias ou mais que um alimento normal.
Alimentos diet e light - A pessoa compra um produto diet ou light e abusa na comilança! Compre o alimento light ou diet e coma menos quantidade que está acostumado. Não é para enfiar o pé na jaca só porque é do segmento. O chocolate é o campeão de enganos nessa área. O chocolate dieté feito exclusivamente para diabéticos, não é um produto para perder peso. O açúcar é retirado do chocolate e, no lugar, para ficar com o mesmo peso e volume, é acrescentado gordura. Ele é dietporque não tem açúcar, mas continua engordando muito!
Confira: Molho Light para Saladas; Salada de Bacalhau; Tabule Árabe; Salada de Grãos;Receitas Leves e Naturais.
Corte de carboidratos – Se o carboidrato é cortado da dieta, o organismo passa a utilizar a proteína para fabricar energia e manter o indivíduo de pé. Com isso começa a consumir massa magra e água. A pessoa fica mais leve, mas não perde peso.
“O segredo está em manter uma alimentação equilibrada e saudável. Para tanto, um nutricionista pode ajudar, principalmente durante os primeiros passos. A maioria das pessoas não acredita que comer várias vezes ao dia emagrece”, comenta Daniela.
Não vire escravo das calorias. Contar as calorias de todos os alimentos não é a solução. É bom saber que um suco de laranja tem mais calorias que o suco de melancia, mas use o bom senso, sempre. Comer tem de ser prazeroso, senão, não vale a pena!
Para perder peso, siga os 10 passos:
1 – Tenha persistência;
2 – Não caia em tentação;
3 – Não pule refeições;
4 – Sempre tenha alguma fruta como maçã ou pera na bolsa.
5 – Tenha a certeza que você “não precisa” daquele bombonzinho!
6 – Quando for dizer o que comeu no dia, nunca use diminutivos, tipo “comi só um pãozinho”. O pão ou pãozinho continua tendo as mesmas calorias. Não se engane! Trabalhe a seu favor!
7 – Para emagrecer não há uma lista de alimentos que se deve comer e outra com os alimentos que devem ser evitados.
8 – Coma menos do que está acostumado(a).
9 – Não está errado comer salaminho e tomar cerveja. O errado é fazer disso um hábito frequente. Não se engane com a frase: “Hoje é sábado e eu não consigo deixar de comer feijoada”
10 – Os piores inimigos de uma dieta somos nós!
fonte: globo.com
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Esclareça mitos sobre como acabar com o acúmulo de gordura na barriga
Todo mundo conhece uma receita para emagrece e perder a barriga. Apelar para cintas compressoras, roupas que estimulem o suor na região da cintura e equipamentos específicos para fazer abdominais são algumas medidas recomendadas por aí. Mas será que elas surtem efeito? Para tirar a dúvida, o UOL Ciência e Saúde ouviu especialistas no assunto e conta, a seguir, o que é mito ou verdade.
1 - Vinagre de maçã ajuda a diminuir a gordura e afinar a silhueta
Mito. Segundo o endocrinologista Marcio Mancini, do Hospital das Clínicas de São Paulo e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), nehum tipo de vinagre ajuda a diminuir a gordura. O mesmo vale para o suco de limão.
2 – A Caralluma Fimbriata e outros produtos vendidos para emagrecimento possibilitam a perda de peso sem regime
Mito. Mancini avisa que a Caralluma não é remédio, mas um suplemento alimentar que nem possuía registro na Anvisa e estava sendo vendido ilegalmente no Brasil. Ele explica que outros remédios existentes no mercado tentam, de alguma forma, ajudar a controlar os hábitos alimentares, ou a eliminar parte da gordura ingerida (sem deixar que seja absorvida). De acordo com o médico, eles auxiliam, mas não resolvem o problema sozinhos.
3 - É possível perder gordura numa parte específica do corpo com exercícios localizados
Mito. Exercícios localizados utilizam gordura fornecida pela corrente sanguínea e não pelo tecido adiposo da região que está sendo trabalhada. O que é possível com esse tipo de exercícios é fortalecer a musculatura da área treinada. Com a musculatura tonificada, a região fica mais “durinha”, o que pode melhorar a aparência. Segundo Mancini, se a pessoa vai emagrecer mais no abdômen ou nas coxas, isso vai depender da predisposição genética de cada um.
4 - É possível perder gordura só na barriga
Mito. Mancini explica que as pessoas primeiro engordam na periferia do corpo (embaixo da pele, nos membros, nádegas, quadris), mas elas têm uma capacidade determinada geneticamente para ganhar peso nessas regiões. Depois que as células gordurosas da periferia ficam repletas, começa a ser armazenada gordura no abdômen, tanto embaixo da pele como profundamente, nos vasos e nos órgãos.
Algumas pessoas praticamente não ganham peso na periferia (em geral homens de pernas finas, que quando engordam ganham peso no abdômen) e outras podem ganhar muito peso na periferia (em geral mulheres de quadris e coxas avantajados, que não engordam muito no abdômen). Para emagrecer, o processo é o mesmo.
5 - A caminhada é melhor que a corrida para queimar barriga
Mito. Mancini comenta que caminhar é ótimo, mas evidentemente correr aumenta mais o gasto calórico do que andar. A corrida é um exercício mais intenso que a caminhada e por isso causa um maior gasto calórico e consequente emagrecimento.
É claro que tudo depende de quem está praticando. Para os mais sedentários, com menor condicionamento físico, a corrida pode ser um exercício intenso demais, e a pessoa não consegue manter o tempo suficiente para o emagrecimento. Nesse casos, a caminhada é mais indicada.
Também em obesos e pessoas com problemas no aparelho locomotor, a corrida pode ser contraindicada por causa do impacto, sendo a caminhada uma boa opção (dentre outras).
6 - Os exercícios aeróbios são melhores pra perder gordura que os exercícios anaeróbios (como a musculação)
Parcialmente verdade. Os exercícios aeróbios são muito importantes para a saúde cardiovascular e, especialmente nos dois primeiros meses, muito eficientes para e perda de peso.
Mas, como mostra o professor Paulo Gentil, do Grupo de Estudos Avançados em Saúde e Exercícios (Gease), em seu livro “Emagrecimento: quebrando mitos e mudando paradigmas”, os exercícios anaeróbios intervalados (como por exemplo alternar 1 minuto de corrida na maior intensidade possível e 1 minuto de caminhada para descanso) se mostraram mais eficientes que os aeróbios em períodos superiores a dois meses. Mesmo nos dois primeiros meses, os exercícios intervalados apresentaram resultados semelhantes aos aeróbios, mas com menor perda de massa muscular.
É importante não confundir perda de peso absoluto e emagrecimento. A perda de massa muscular diminui o peso, mas também diminui o metabolismo, podendo aumentar a tendência a engordar. A manutenção da massa magra é importante para a saúde do indivíduo (como massa magra entendemos tudo que não é gordura, em especial estamos falando de ossos e músculos que são pesados e podem causar diferenças significativas na balança).
Os exercícios resistidos (como os de musculação) normalmente não são tão eficientes para a perda de peso quanto os aeróbios e os intervalados. Mas o Mancini explica que, quando se aumenta a massa muscular com os exercícios de resistência, o corpo passa a queimar mais calorias (os músculos utilizam muita energia para se manter). Portanto, os dois são importantes.
7 - Beber chope e cerveja aumentam a barriga
Mito. Chope e cerveja têm calorias. Segundo o personal trainer Beto Fernandes, cada grama de álcool tem aproximadamente 7 calorias, e um copo de 300 ml de chope tem algo em torno de 120 calorias. Logo, a bebida ingerida em excesso engorda.
Mas, como explica Mancini, o indivíduo engorda nas regiões em que é predisposto geneticamente.
Vale lembrar que os petiscos que acompanham a cerveja também participam desse aumento de consumo calórico.
8 - Usar cintas compressoras de abdômen ajudam a perder barriga
Mito. A cinta causa uma compressão local temporária, pode ser a solução para aquela festa onde você precisa estar com a aparência perfeita, mas a longo prazo é preciso se esforçar, cuidando da alimentação e fazendo exercícios. Não há milagres. Mancini diz que com a cinta você só perde barriga na silhueta.
Além disso, o uso constante dessas cintas pode causar falta de força na musculatura postural, que acostuma com o suporte extra. O ideal é tentar se policiar para manter a postura e a barriga para dentro, fortalecendo os músculos do abdômen que sustentam a barriga, ajudando a diminuir o volume.
9 - Fazer longos períodos de jejum ajudam a emagrecer e perder barriga
Parcialmente verdade. O jejum emagrece, os os quilos voltam rapidamente assim que a pessoa volta a comer, como explica Mancini. Além disso, o jejum prolongado pode oferecer risco de vida.
10 - Fazer exercício em jejum potencializa a perda de gordura
Parcialmente verdade. Não há ainda comprovações sobre a eficiência dos exercícios feitos em jejum. Algumas pessoas parecem não se adaptar, apresentando até mesmo desmaios (o corpo induz o desmaio devido a falta de energia disponível) e algumas pessoas apresentam menor desempenho no exercício, pois o corpo diminui o metabolismo.
Já outros se adaptam bem a esse tipo de treino. Existem pesquisas que demonstram que em jejum a mobilização de gordura para a atividade é maior, mas esse efeito é muito pequeno. Segundo o professor Paulo Gentil, uma forma de explicar por que algumas pessoas conseguem emagrecer se exercitando em jejum é a redução da ingestão calórica diária, pois a pessoa precisa se programar para passar de 8 a 12 horas sem comer, além disso, é necessária força de vontade e disciplina, que podem ajudar na dieta e treinos.
Para Mancini, o sacrifício não vale à pena: há risco de mal estar, tontura, hipoglicemia.
11 - Fazer exercício com muitas roupas para manter o calor ajuda a emagrecer
Mito. Mancini explica que simplesmente suar não emagrece. O mesmo vale para a sauna. Com o suor você perde água, por isso muitas vezes observamos efeito na balança logo depois do exercício, mas você terá que repor posteriormente essa água perdida.
12 - Exercícios abdominais diminuem a gordura da barriga
Mito. Fernandes explica que, se a barriga proeminente for fruto de flacidez, o exercício abdominal faz o músculo voltar à posição anatômica normal e o volume diminui. Agora, se a barriga for causada por excesso de gordura, o abdominal não vai adiantar. O gasto calórico nos exercícios abdominais é pequeno, por isso não exerce grande influência no emagrecimento.
Como resume Mancini, exercícios abdominais fortalecem os músculos. Já os exercícios aeróbicos diminuem a barriga.
Fontes: Beto Fernandes, personal trainer; Marcio Mancini, médico do Hospital das Clínicas de SP e presidente do departamento da obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem); e Paulo Gentil, presidente do Grupo de Estudos Avançados em Saúde e Exercícios (Gease) e autor do livro “Emagrecimento: quebrando mitos e mudando paradigmas"
Assinar:
Postagens (Atom)
.jpg)
