terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Aspirina diária reduz risco de morte por câncer, diz estudo

Segundo pesquisa, consumo de 75 mg diários da droga reduziu em até 20% os riscos de morte.

 Uma pequena dose diária de aspirina é capaz de reduzir substancialmente o risco de morte por uma série de tipos de câncer, segundo sugere um estudo britânico.

A pesquisa coordenada pela Universidade de Oxford verificou que uma dose diária de 75 mg reduziu em até 20% a chance de morte por câncer.

O estudo, publicado na última edição da revista científica "The Lancet", analisou dados de cerca de 25 mil pacientes, a maioria deles da Grã-Bretanha.

Especialistas dizem que os resultados mostram que os benefícios da aspirina comumente compensam os riscos associados, como aumento da possibilidade de sangramentos ou irritação do sistema digestivo.

Outros estudos já haviam associado a aspirina à redução dos riscos de ataques cardíacos ou de derrames entre as pessoas nos grupos de risco.

Mas acredita-se que os efeitos de proteção contra doenças cardiovasculares sejam pequenos entre adultos saudáveis. Também há um risco maior de sangramentos no estômago e no intestino.

Porém a pesquisa publicada nesta terça-feira afirma que, ao avaliar os benefícios e os riscos do consumo de aspirina, os médicos deveriam também considerar seus efeitos de proteção contra o câncer.

As pessoas que consumiram o medicamento tiveram um risco 25% menor de morte por câncer durante o período do estudo, e uma redução de 10% no risco de morte por qualquer causa em comparação às pessoas que não consumiram aspirina.

Longo prazo
O tratamento com a aspirina durou entre quatro e oito anos, mas um acompanhamento de mais longo prazo de 12.500 pessoas mostrou que os efeitos de proteção continuaram por 20 anos tanto entre os homens quanto entre as mulheres.

Após 20 anos, o consumo diário de aspirina ainda tinha o efeito de reduzir em 20% o risco de morte por câncer.

Ao analisar os tipos específicos da doença, os pesquisadores verificaram uma redução de 40% no risco de morte por câncer de intestino, 30% para câncer de pulmão, 10% para câncer de próstata e 60% para câncer de esôfago.

As reduções sobre cânceres de pâncreas, estômago e cérebro foram difíceis de quantificar por causa do pequeno número de mortes por essas doenças entre as pessoas pesquisadas.

Também não havia dados suficientes para analisar os efeitos da aspirina sobre cânceres de ovário ou de mama, mas os autores da pesquisa sugerem que a razão para isso é que não haveria mulheres suficientes entre as pessoas analisadas.

Mas estudos de larga escala sobre os efeitos da aspirina sobre esses tipos específicos de câncer estão em andamento.

O coordenador do estudo, Peter Rothwell, disse que ainda não aconselha os adultos saudáveis a começarem a tomar aspirina imediatamente, mas afirmou que as evidências científicas estão 'levando as coisas nessa direção'.

Segundo Rothwell, o consumo diário de aspirina dobra os riscos de grandes sangramentos internos, que é de 0,1% anualmente. Mas ele diz que os riscos de sangramento são 'muito baixos' entre adultos de meia idade, mas aumentam bastante entre os maiores de 75 anos.

Segundo ele, o tempo ideal para começar a considerar tomar doses diárias de aspirina seria entre os 45 e os 50 anos, por um período de 25 anos

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

AIDS: O que aprendemos com ela?

A síndrome da imunodeficiência adquirida (aids) entrou para a história provocando efeitos colaterais na ciência. Diante de um problema desconhecido e altamente letal, investimentos astronômicos foram canalizados para os centros de pesquisa. Um vírus, o da imunodeficiência humana (HIV), movimentou uma caça às bruxas e, quando descoberto, tornou-se inimigo público número 1. O clima era o de ameaça à espécie humana, mas estávamos prestes a entender, com detalhes, alguns dos mecanismos que explicam a vida. Os resultados dos estudos focados na nova epidemia transbordaram, isto é, não ficaram restritos à aids. “A doença acelerou o progresso científico”, observa o infectologista Stefan Cunha Ujvari, autor de A História da Humanidade Contada pelos Vírus (Ed. Contexto).







Em meio a essa corrida, que invadiu o século 21, aprendemos como é organizado nosso sistema imunológico e desvendamos a natureza e as estratégias de ataque dos vírus. “A virologia se divide em antes e depois do HIV”, sentencia o infectologista Caio Rosenthal, do Instituto Emílio Ribas, em São Paulo. Avançamos na compreensão do genoma. “Com os estudos em HIV, passamos a identificar perfis genéticos que acusam se uma pessoa terá uma progressão mais lenta ou rápida da doença”, conta a farmacêutica Rejane Grotto, da Universidade Estadual Paulista, em Botucatu. O boom de informações geradas em laboratório extrapolou os ganhos contra a aids e aprimorou a abordagem das hepatites virais e do câncer.



“Não tenho dúvida de que o conhecimento gerado em função do HIV ainda não foi totalmente empregado em outras doenças”, diz o infectologista Celso Granato, do Laboratório Fleury. Na esteira do progresso, porém, exames se aperfeiçoaram e novas drogas surgiram. A ordem de conter o vírus resultou em mais segurança nos procedimentos médicos, como a triagem do sangue para doação e o uso de agulhas descartáveis. São mudanças que mal notamos no cotidiano, mas que afetam, e muito, a nossa vida.



Apesar de iluminar indiretamente os pilares da biologia moderna, a aids deixou lições amargas, porque quebrou modelos estabelecidos. “As epidemias costumam surgir e depois de um tempo desaparecer, mas a aids não foi embora”, avalia a professora de história da medicina Diana Maul de Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.



Além disso, a doença silenciou a esperança — ou, por que não, a presunção — da ciência de impor seu domínio absoluto sobre os micróbios. “O século 20, marcado pelo desenvolvimento de vacinas e antibióticos, imaginou controlar de vez as doenças infecciosas, e o HIV mostrou que isso ainda é impossível”, lembra Diana.



Um vírus mudou os hábitos do homem. Os anos 1960 e 70 hastearam a bandeira da liberdade sexual, mas a década seguinte veio recolhê-la. Com a chegada da aids — e as notícias se espalhando —, o sexo voltou a ser visto como fonte de perigo. Houve quem atribuísse a nova peste a um castigo divino contra a imoralidade e a perversão dos jovens. O mal se alastrou e, com o tempo, o mundo percebeu que ele não tinha idade nem era exclusivo de homossexuais, profissionais do sexo e usuários de drogas. “A doença avançou para a população heterossexual e, de repente, havia grávidas e crianças infectadas”, conta Stefan Ujvari, que também é médico do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo. E, aí, fomos obrigados a aceitar o fato de que qualquer ser humano é vulnerável. A imagem do soropositivo se transformou a passos lentos — embora muita gente ignore, portar o vírus não signifi- ca ser aidético, estágio só enfrentado se a síndrome se manifesta. À medida que artistas assumiam sua condição, a aids se tornava pública e suas vítimas passavam a ser mais aceitas pela sociedade. O mundo mudou também para quem não abrigava o vírus nas veias. Inaugurou- se a era do sexo seguro e o preservativo entrou na moda por obrigação. “Os cuidados motivados pela aids reduziram a transmissão de outros problemas”, afirma Celso Granato.

O HIV forçou um debate sobre comportamento sexual cujos ecos ainda são ouvidos. Afinal, o que se entende por promiscuidade? O que é ter uma relação de risco, como questiona o formulário para a doação de sangue? Por que homossexuais não estão no grupo apto a doar? Ora, mesmo heterossexuais com um único parceiro não estão livres da ameaça. A discussão não terminou, mas é inegável: a doença abriu nossa cabeça. “A partir da epidemia, se acendeu um debate sobre sexualidade, preconceito e prevenção”, diz o infectologista Dirceu Greco, diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde. A questão das drogas também veio à tona. E o discurso trocou de tom e foco: não se cobra mais a abolição dos entorpecentes, mas, se alguém fizer uso dos injetáveis, que não compartilhe a seringa. No final das contas, a aids flechou o próprio moralismo.



A queda do estigma

Nos primeiros anos, o diagnóstico do HIV era uma sentença de morte. “Já fui o médico que mais assinou atestados de óbito em São Paulo”, relembra Caio Rosenthal, que acompanhou as vítimas da doença desde o princípio da epidemia. Mas, anos de pesquisas depois, a ciência entrou em campo com o coquetel. Graças a ele, o soropositivo não veste mais o traje de carne e osso e, quando segue o tratamento à risca, pode levar uma vida próxima do normal. “O problema é que, se o paciente não adere a no mínimo 95% da terapia, sua resposta tende a cair”, diz Rosenthal. Nesse caso, em geral protagonizado por pessoas financeiramente desfavorecidas, a aids prossegue como um fantasma.



É um engano rotular a aids como uma doença sob controle — erro compartilhado por uma nova geração que, embora tenha crescido nos tempos da camisinha, nutre a sensação de que o HIV é uma peste enterrada no século 20. “Ele não é um problema do passado, mas do futuro”, não hesita em dizer o virologista Paolo Zanotto, professor do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo. Essa falha de percepção está por trás do recrudescimento da infecção entre os jovens, que não podem se dar ao luxo de pensar que o tratamento contém em definitivo o micro-organismo. “As terapias nem sempre têm o efeito esperado e, com o tempo, o vírus é capaz de apresentar resistência a elas”, lembra Zanotto.



O perigo ronda também quem atravessa a sexta ou a sétima década de vida. A popularização dos remédios contra a disfunção erétil se somou à falta do hábito de vestir o preservativo. O resultado são novos casos em uma faixa etária que, a princípio, enfrentava um menor risco. Ninguém está imune e, por isso, só há um caminho seguro para escapar do vírus. “A prevenção é o carro-chefe”, afirma Dirceu Greco. Mesmo quem porta o HIV precisa se precaver, sob pena de contrair outros subtipos do micro-organismo. “A recombinação dos vírus pode diminuir a eficácia das drogas”, alerta Zanotto. Além do sexo seguro, especialistas defendem mais uma medida para cercar o inimigo: a inclusão de exames de HIV nos checkups anuais. O diagnóstico precoce faz a diferença não apenas ao paciente. O mundo inteiro sai ganhando.



Depois desse balanço histórico, com as perdas e os ganhos impostos pela aids, chega o momento de vasculhar por que não derrotamos o adversário microscópico. Mal o vírus se alastrava nos anos 1980, cientistas ousaram prever uma vacina em pouco tempo. A predição não se tornou realidade. “Pensava-se, na época, que bastava descobrir o vírus para desenvolver um imunizante”, diz o infectologista Esper Kallas, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.



Na década seguinte, Bill Clinton, então presidente dos Estados Unidos, anunciou o produto no prazo de dez anos. A profecia não se cumpriu mais uma vez. “O HIV tem um jogo negociado com o sistema imune e qualquer vacina precisa das nossas defesas para funcionar”, explica Paolo Zanotto. O micro-organismo parece projetado para enganar o hospedeiro. Primeiro: ele é altamente mutante e, assim, dribla anticorpos — um imunizante tradicional feito hoje não funcionaria amanhã. Segundo: ele conta com substâncias em sua superfície que dificultam a adesão de um anticorpo. Terceiro: ele invade o núcleo de uma célula essencial ao comando imunológico, misturando seus genes aos dela e escapando dos guardas. Essas peculiaridades ajudam a entender também a dificuldade de encontrar a cura da doença, um Santo Graal nas ciências biológicas. O coquetel antirretroviral zera a carga de vírus no sangue, mas alguns deles se escondem nos chamados santuários — que ficam no cérebro, nos gânglios linfáticos... “O HIV se finge de morto e, se a terapia é abandonada, volta a se multiplicar e atacar em 15 dias”, avisa Celso Granato, que também é professor da Universidade Federal de São Paulo.



Enquanto torcemos por uma vacina perfeita e um remédio capaz de desentocar e matar as sobras do vírus, deparamos com a última e difícil lição. “Parece que, até agora, o homem está apertando sempre a campainha e a porta não abre. Talvez ele tenha que dar um passo para trás e pensar em outro jeito de entrar na casa”, compara Zanotto. “Apesar de tudo o que descobrimos, ainda estamos amarrados pela falta de conhecimento”, constata Granato. Para vencer o HIV, precisamos rever a própria forma de fazer ciência e transgredir nossas limitações. Ainda temos muito que aprender antes de derrotar essa doença, que se desprendeu de tintas apocalípticas e ensinou o ser humano a compreender melhor os fenômenos que regem a vida. Não foi o fim do mundo. Não foi o fim da vida. Não é o fim do sonho.



O coquetel



Uma combinação de medicamentos modificou a expectativa e a qualidade de vida do soropositivo. O coquetel antirretroviral é composto de três a cinco drogas e receitado até mesmo antes de a síndrome se manifestar. Ele transformou um mal fulminante em uma doença crônica. Seus remédios atuam em várias fases do mecanismo de ataque do vírus. Se o primeiro falhar, as outras drogas entram em ação, reduzindo a carga viral no sangue a um nível indetectável — o único senão são os efeitos adversos.



Num futuro distante



“É possível que, daqui a milhões de anos, o HIV se integre de vez no DNA do homem”, especula Paolo Zanotto. A ligação não se completou até hoje porque ele arruína nosso corpo. Está comprovado que herdamos genes de outros retrovírus. Há milhares de anos, esses micro-organismos aniquilaram animais. Feita a aliança com o hospedeiro, seus genes passaram a trabalhar pela formação da placenta. Será que o HIV também trará alguma recompensa à nossa espécie?



A Aids e o tempo



Acompanhe a história da doença nestas e nas próximas páginas e conheça suas repercussões na ciência, na sociedade e na vida dos soropositivos



1930
O vírus da imunodeficiência do símio, SIV, que infectava chimpanzés da espécie Pan troglodytes troglodytes, em Camarões e Gabão, é transmitido ao ser humano e, aos poucos, dá origem a um novo micro-organismo, o HIV.



1959
Data deste ano um dos primeiros casos de morte pelo vírus — um habitante do Congo cujo sangue foi coletado por cientistas americanos. Mas a confirmação só veio por meio de análises na década de 1980.



1977/78
O vírus viaja de navio e avião rumo ao Haiti dentro de pessoas infectadas. Uma vez na ilha, atinge especialmente a população carente. Desconfia-se que imigrantes possam ter carregado o micro-organismo aos Estados Unidos.



1981
Multiplicam-se casos de um câncer raro, o sarcoma de Kaposi, e de infecções oportunistas que levam à morte mais de 150 pessoas nos Estados Unidos, a maioria homossexuais. Os médicos acreditam em uma nova doença.



1982
Autoridades americanas passam a chamá-la de síndrome da imunodeficiência adquirida, a aids, e estipulam as pessoas mais vulneráveis a ela: homossexuais, profissionais do sexo, usuários de drogas e hemofílicos.



1983
Um ano depois do primeiro caso diagnosticado no Brasil (em São Paulo), os cientistas franceses Luc Montagnier e Françoise Barré-Sinoussi, do Instituto Pasteur, identificam o vírus da imunodeficiência humana, o HIV.



1984
Montagnier havia doado uma amostra do vírus ao pesquisador americano Robert Gallo e, meses depois, o governo ianque anuncia que ele é o pai da descoberta da causa da aids. Nasce uma contenda histórica.



1986
Um ano depois do surgimento do exame para a doença, desponta o primeiro tratamento. É o AZT, antes usado contra o câncer, mas preterido devido aos efeitos colaterais. Ele bloqueia um dos mecanismos de infecção do vírus.



1990
O Brasil perde uma das mais famosas vítimas da aids, o cantor e compositor Cazuza. No ano seguinte, a fita vermelha entrelaçada e formando um “A” se torna o símbolo de combate à doença.



1992
À medida que surgem novas drogas contra o vírus, o Ministério da Saúde brasileiro anuncia que o tratamento da aids será custeado pelo Sistema Único de Saúde, tornando-se, portanto, gratuito ao paciente.



1993
O AZT, droga antiviral, começa a ser produzido no Brasil. Um ano mais tarde, pesquisas sugerem que o medicamento reduz a transmissão do HIV da mãe para o filho na gravidez e na hora do parto.



1995
Vem ao mundo uma nova classe de antivirais, que torna mais eficaz o tratamento. São os inibidores de protease, que agem em um dos últimos passos do vírus para garantir seu domínio sobre a célula infectada.



1996
Os soropositivos já dispõem de um mix de drogas para controlar a doença. O programa brasileiro de DST e Aids define o primeiro consenso para o coquetel antirretroviral, estabelecendo a indicação de cada remédio.



2008
Os cientistas Luc Montagnier e Françoise Barré-Sinoussi são laureados com o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina pela identificação do HIV. Se ainda havia alguma dúvida quanto à autoria da descoberta, ela cai por terra finalmente.



2009
Em meio à busca de novas drogas e de uma vacina, a estimativa é que existam mais de 33 milhões de pessoas infectadas pelo vírus. Foram registrados no Brasil, desde o começo da epidemia, quase 545 mil casos da doença.



A origem

O berço da humanidade foi também o cenário onde surgiu o HIV. Estamos falando da África, mais especificamente da região que abrange o sul de Camarões e o norte do Gabão. Ali vivia uma espécie de chimpanzé que portava o vírus da imunodeficiência do símio (SIV), o ancestral da versão humana. Na década de 1930, a escassez de alimentos decorrente de um período de conflitos e miséria motivou ainda mais a caça aos macacos. Por meio de ferimentos, os caçadores se infectaram. Só que o vírus, mutante e esperto, conseguiu se ambientar ao corpo do hospedeiro, gerando o HIV.



As cifras da doença



Gastos voltados à luta contra o HIV nos últimos anos:



15,6 bilhões em 2008



25 bilhões em 2010



60 milhões de pessoas se infectaram com o HIV desde o início da epidemia. É quase a população do Reino Unido



25 milhões morreram vítimas da aids até hoje. Esse número supera a população da Grande São Paulo



2,1 milhões de crianças vivem com o vírus no mundo inteiro. Mais de 14 milhões ficaram órfãos no continente africano



As frentes de combate



Conheça as estratégias investigadas pela ciência que prometem prevenir ou aprimorar o tratamento do HIV



Vacinas



Existem atualmente cerca de 30 versões em teste. Elas são divididas em dois grupos. “O primeiro induz a formação de anticorpos contra o vírus, prevenindo a infecção”, diz o infectologista Esper Kallas. “E o segundo educa as células de defesa a combatê-lo, impedindo que se desenvolva a síndrome”, resume. Para o médico, a saída pode estar em uma combinação de ambas as táticas.



Novas drogas



Estão em testes novas famílias de antivirais, que atuam em etapas inusitadas do mecanismo de infecção. Uma aposta para o futuro seriam terapias que atuassem em nosso código genético. “Há moléculas de RNA antes consideradas desprezíveis e que hoje são não apenas importantes, como possíveis candidatas a destruir as informações do vírus”, diz Paolo Zanotto. É preciso desvendar uma maneira de usá-las a nosso favor.



Gel anti-hiv



O produto, aplicado diretamente na vagina, barraria a transmissão do HIV in loco. Várias fórmulas foram avaliadas mundo afora sem sucesso. Recentemente, um gel testado na África do Sul surpreendeu ao mostrar uma redução de 39% no contágio. “Mas essa solução ainda parece mais adequada a mulheres expostas ao vírus e que não têm a opção do preservativo”, acredita Esper Kallas.



Nós aprendemos com a aids



A caça ao vírus e a busca de exames e tratamentos impulsionaram o conhecimento em diversas áreas da ciência



Sistema imune



Conhecemos com intimidade o papel do linfócito T CD4, justamente a célula de defesa infectada pelo HIV. Ela exerce a função de um comandante, que recruta, por meio de substâncias mensageiras, os soldados para o conflito. Também se comprova que o timo, órgão situado no meio do peito, continua ativo na fase adulta, diferentemente do que se pensava antes da epidemia. É ali, aliás, que parte das células de defesa amadurece para ir à luta.



Genética



São estudados os chamados polimorfismos, sequências de genes que diferem de pessoa para pessoa e que podem revelar uma maior propensão a certas doenças. No caso do HIV, eles são capazes de dedurar se a progressão da síndrome será rápida ou mais lenta. A análise do genoma dos retrovírus e do seu mecanismo de ataque ajuda a comprovar a tese de que, no fluxo de informações genéticas, a molécula de RNA pode se transformar em DNA, e não apenas o caminho contrário.



Virologia



O HIV alavancou esse ramo da biologia. Graças às observações e aos experimentos com ele, conseguimos decifrar as minúcias do ciclo de vida dos vírus. Passamos a visualizar como esses micro-organismos dominam a célula-alvo do hospedeiro e misturam seu material genético ao dela para se replicar. Distinguimos uma série de enzimas, cruciais ao assalto do vírus, que, quando anuladas, inviabilizam sua vitória contra a célula. E, aí, aparecem novas drogas antivirais

De cara com o vírus



 O que ele tem de especial?



O HIV, vírus da imunodeficiência humana, é um retrovírus extremamente mutante. Seu código genético tem duas fitas de RNA.



 Como é transmitido?

Por meio do sangue (transfusões e outros procedimentos médicos), do ato sexual e do contato com ferimentos.



 Como ataca o homem?



Ele invade o linfócito T CD4, importante célula de defesa, e integra seu material genético no do hospedeiro para se multiplicar. Com milhões de novas cópias formadas, a célula é destruída.



 Quais os tipos?



São basicamente dois, o HIV-1, comum em todo o mundo e dividido em subtipos de A a J, e o HIV-2, mais restrito à África.



Exames

Um teste conhecido como PCR passa a ser empregado para rastrear o HIV no sangue. Os métodos de diagnóstico evoluem e se tornam mais sensíveis. Além de apurar as pegadas do micro-organismo, há exames que fazem uma contagem dos linfócitos T CD4, células agredidas pelo vírus e que indicam a exposição do paciente às doenças oportunistas que surgem durante a síndrome. Outros conseguem investigar se existe resistência do micro-organismo aos medicamentos prescritos.



Procedimentos médicos



Como é transmitido pelo sangue, o HIV exigiu a adoção de critérios mais rígidos na hora de realizar uma série de procedimentos em clínicas e hospitais. Intensifica-se a necessidade de executar triagens do sangue doado antes de submeter um paciente a uma transfusão — muitos hemofílicos contraíram a doença na ausência desse cuidado. E ganha força a obrigação de usar agulhas descartáveis em vacinas e injeções.



Outras doenças

Os avanços em imunologia e no entendimento do mecanismo das infecções foram caros à compreensão e ao tratamento de outros males, como o câncer e as hepatites virais. A proposta de combinar drogas, lançada pelo coquetel anti-HIV, inspirou a terapia dessas outras enfermidades anos depois. Já o conhecimento do ciclo de vida dos vírus ajudou a melhorar a terapia da hepatite C. E o rigor com a transfusão de sangue minimizou a transmissão de problemas como a doença de Chagas.












11 coisas que você ainda não sabe sobre o diabete


O canadense Frederick Banting (1891–1941), vencedor do Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1923 por ser um dos descobridores da insulina, nasceu em um 14 de novembro. Seu trabalho foi tão importante para quem sofre com altas doses de açúcar no sangue que hoje a data é reservada para o Dia Mundial do Diabete. Nela, lançam-se campanhas para informar a população sobre essa ameaça à saúde. No entanto, a julgar pelos dados recentes, muitos outros dias deveriam ser marcados no calendário para discutir o transtorno.

 

Ao redor do globo, 285 milhões de pessoas são diabéticas, sendo que 12 milhões delas estão no nosso país — 15% dos brasileiros padecem do problema. “E o pior é que apenas metade dessa gente sabe disso”, ressalta Carlos Eduardo Barra Couri, endocrinologista da Universidade de São Paulo, a USP, em Ribeirão Preto. Um dos motivos para esse desconhecimento tem a ver com o fato de o distúrbio geralmente ser silencioso. Ou seja, na maioria dos casos, seus estragos só serão sentidos muitos anos depois de a doença ter se instalado.

Mas, verdade seja dita, há carência de informações para o público. Foi por esse motivo que SAÚDE! resolveu recorrer a um time de especialistas para explicar o que há de mais importante e novo sobre o tema. Muita gente nem desconfia que pequenas mudanças no dia a dia fazem uma grande diferença quando o assunto é diabete. “Pesquisas indicam que pessoas sob risco de ter esse distúrbio diminuem em cerca de 60% a probabilidade de desenvolvê-lo ao modificarem seus hábitos”, relata o endocrinologista Jairo Hidal, vice-presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

1. O diabete tipo 2 não tem só a ver com maus hábitos

A doença se manifesta de duas formas. O chamado tipo 1 está relacionado à incapacidade do pâncreas de produzir um hormônio, a insulina, que tem a missão de botar a glicose para dentro das células. Essa deficiência costuma ser causada pelas próprias defesas do organismo. Já no diabético do tipo 2 — que representa 90% dos casos —, as membranas celulares resistem à entrada do açúcar, exigindo uma maior produção de insulina. Aí o pâncreas se sobrecarrega e, após um tempo, entra em colapso. Esse quadro é provocado na maioria das vezes pela dupla obesidade e sedentarismo, que tem tudo a ver com maus hábitos. Daí a pergunta: será que o tipo 2 tem um fator genético menos preponderante? Nada disso. “Cerca de 50% dos pacientes com a segunda modalidade do mal têm um histórico familiar marcante. Essa incidência diminui para 30% no tipo 1”, diz Couri. Ou seja, a tendência genética pesa até mais no tipo 2.

2. Ele causa cegueira, amputações…

Já é sabido que a doença está por trás de perda de visão ou amputações não traumáticas — isto é, as que não ocorrem em razão de um acidente. Mas aqui vem a novidade: ela é a principal causa desses infortúnios no mundo. Nos olhos, o excesso de glicose prejudica a passagem de sangue pelos capilares da retina. Com isso, a região fica desnutrida. Os membros, principalmente os inferiores, também são afetados pela falta de irrigação. Também acabam sendo acometidos por uma perda de sensibilidade. Assim, um pequeno ferimento que passa despercebido pode tomar grandes proporções. “Os dois problemas, no entanto, só acontecem quando o mal está completamente fora de controle”, ressalta Hidal.

3. ...e enfraquece os ossos

Os diabéticos têm uma ligeira tendência a ficar com o esqueleto frágil. “Quando há descontrole na doença, observamos uma diminuição da chegada de cálcio aos ossos”, relata o endocrinologista Sérgio Dib, diretor do Centro de Diabete da Universidade Federal de São Paulo. Os médicos não sabem bem o porquê, mas acredita-se que a deficiência de insulina esteja envolvida nesse fenômeno. Afinal, esse hormônio participa da construção de vários tecidos do corpo, como os músculos e, claro, a ossatura.

4. Põe em risco a gravidez e os recém-nascidos

Todas as gestantes precisam estar atentas a esse item, incluindo as não diabéticas. Isso porque, nessa etapa da vida, há uma tendência natural para que as taxas de açúcar no sangue subam. Quando o aumento é significativo, ocorre o diabete gestacional, um transtorno que eleva a probabilidade de um parto prematuro. “Como recebe um grande aporte de glicose através do cordão umbilical, o feto passa a produzir insulina demais”, aponta César Pereira Lima, obstetra da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. E daí? Daí que, assim que nasce, o bebê, geralmente maior do que a média, continua cheio de insulina. Resultado: hipoglicemia, ou seja, os níveis de açúcar no sangue despencam. “O jeito é controlar de perto a gravidez, aplicando a versão sintética do hormônio sempre que necessário. Já o bebê será avaliado e tratado para normalizar a atividade do pâncreas”, indica Lima.

5. O tipo 2 é cada vez mais comum na moçada

Muitos acham que o tipo 2 está restrito aos mais maduros — tanto assim que já foi chamado de senil — e que só o tipo 1 daria as caras desde a infância. Isso não é verdade. Devido à má alimentação e ao sedentarismo, o tipo 2 também vem sendo flagrado em crianças. “Já diagnostiquei o problema em pacientes com 10 anos”, exemplifica, preocupado, Carlos Eduardo Barra Couri. É por essas e por outras que os médicos suplicam aos pais para estimular seus filhos a praticar exercícios físicos e a comer de maneira equilibrada. Essa combinação de atitudes saudáveis ajuda a evitar a obesidade, um dos principais desencadeadores do mal na infância.

6. Está ligado a doenças neurodegenerativas

“O diabete é considerado um grande fator de risco para demências em geral”, arremata, logo de cara, Sonia Brucki, neurologista da Academia Brasileira de Neurologia, em São Paulo. Essa encrenca, quando descontrolada, compromete os vasos que irrigam o cérebro. Isso deixa os neurônios sem combustível para operar normalmente. E, como um carro, eles eventualmente param de trabalhar. Em outras palavras, a massa cinzenta perde, aos poucos, sua capacidade de armazenar e transmitir informações. Pensa que é pouco? Pois saiba que essa doença também financia derrames, que podem culminar em perdas motoras e cognitivas. Na reportagem da página 70, você verá como atenuar essas consequências por meio da prática esportiva.

7. A gordura também é culpada

Fato: quem não conhece a fundo o tema desta reportagem vê o açúcar como único vilão da história. Mas a gordura também está no banco dos réus, sobretudo no caso do diabete tipo 2. “Ela deve ser ingerida sem exageros”, adverte a nutricionista Gisele Goveia, da Sociedade Brasileira de Diabetes. É que o excedente gorduroso vai parar no abdômen. Surge, aos poucos, a famosa barriga de chope, que, além de ser um atentado contra a estética, passa a produzir substâncias perigosas para quem se tornou ou corre o risco de se tornar refém desse estorvo. “Essas moléculas agem nos receptores das células, dificultando a ação da insulina”, esclarece Sérgio Dib.

8. Não é motivo para proibições radicais à mesa

Preste atenção no que a nutricionista Gisele Goveia diz: “A lista do permitido e do proibido não existe”. As frutas, por exemplo, possuem um tipo de açúcar chamado frutose. Mesmo assim, não devem ser banidas do cardápio. Pelo contrário. Como qualquer outro indivíduo, o diabético deve manter uma alimentação balanceada, com opções variadas no prato. “Se ele respeitar o limite de ingestão de carboidratos, que deve ser estabelecido por um profissional, pode se dar ao luxo de comer até um doce de vez em quando”, informa Gisele.

9. Também se manifesta em quem é magro

Não pense que vamos falar dos que têm diabete do tipo 1. Afinal, é bastante conhecido que essa variação do problema não surge por causa dos quilos extras. Diferentemente dela, no tipo 2 a obesidade é um componente central. Mas mesmo o pessoal com a barriga sequinha ainda deve ficar esperto. “Já vi muita gente que come mal e não engorda. A alimentação desbalanceada é, por si só, um risco”, analisa Couri. Outra coisa a levar em consideração são os esportes. Pessoas magras podem desenvolver o distúrbio só por serem sedentárias.

10. É potencializado quando se dorme mal

Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, uma pesquisa quentíssima mostra, em ratos, que a apneia contribui para catapultar as taxas de açúcar. “Reduzimos o nível de oxigênio dos animais durante o sono, assim como acontece com os seres humanos que roncam”, explica o pneumologista Denis Martinez, orientador do estudo e coordenador do Laboratório Interdisciplinar de Pesquisa em Sono da UFRGS. “Depois de 21 dias, eles estavam com a glicemia bem alta”, revela. A relação entre diabete e sono, no entanto, vai além. Dormir pouco já representa um perigo. Isso porque o corpo vai precisar de energia adicional para enfrentar a jornada. Assim, quem não repousa direito à noite acaba apelando para bombas calóricas cheias de açúcar e gorduras ao longo do dia. “Fora que, quando dormimos mal, o organismo produz mais cortisol, o hormônio do estresse, para nos mantermos acordados. E isso agrava o diabete”, conclui Martinez.

11. Muito além da glicemia

É vital manter os níveis de açúcar sob rédeas curtas. Os médicos pedem, pelo menos a cada três meses, exames para ver suas taxas. “Medimos o índice em jejum e duas horas após a ingestão de um copo com 75 gramas de glicose”, conta Couri. “E fazemos o teste de hemoglobina glicada, que nos acusa se o paciente controlou direito a doença por meio da análise dos glóbulos vermelhos.” Mas, como o diabete está ligado a turbulências no coração — 80% das suas vítimas morrem de problemas cardiovasculares —, ele deve ser acompanhado. O LDL, a versão ruim do colesterol, que fomenta os entupimentos arteriais, precisa estar abaixo dos 70 mg/dL. A pressão e os triglicérides também têm que se manter dentro dos conformes.


INSULINA PARA O ALZHEIMER?

Um estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro sugere que a reposição desse hormônio, fundamental para muitos diabéticos, ajuda quem luta contra esse blecaute cerebral. Ao menos em cobaias, os remédios potencializadores da insulina combateram a substância beta-amiloide, uma das responsáveis pelo assassinato de neurônios. “Fora isso, quando há insulina no cérebro, a glicose entra mais fácil nas células, melhorando a atividade neuronal”, acrescenta Sonia.

FALSO MAGRO

Tem gente que está dentro do limite de peso mas exibe uma barriga proeminente. E, diversamente do que esses indivíduos podem imaginar, isso já é motivo para fi car de olho nos índices de glicose no sangue. Essa gordura de sobra armazenada no ventre arrasa os receptores de açúcar das células. Hoje, magro saudável é quem possui a circunferência abdominal dentro dos limites — menos de 90 centímetros para homens e 80 para mulheres.

DIAGNÓSTICO PRECOCE

Essa é a melhor maneira de combater o diabete. E, para isso, basta fi car atento aos tópicos desta lista: sedentarismo, hipertensão, taxas de colesterol ou triglicérides altas, ovário policístico, obesidade, histórico familiar. Se você se encaixa em algum deles, está mais propenso a essa baita chateação. Por isso, é imprescindível consultar um médico para receber as orientações adequadas. Outro ponto que merece atenção é a idade. A Associação Americana de Diabetes recomenda a indivíduos acima de 45 anos que, mesmo sem apresentar nenhum dos fatores descritos acima, façam exames para medir a glicose pelo menos a cada três anos.





Descoberta de bactéria que se alimenta de arsênio pode redefinir a química da vida


Achado da Nasa em lago na Califórnia abre novas perspectivas para a compreensão da vida e amplia o escopo das buscas por tipos extraterrestres




Foi no Lago Mono, na Califórnia, nos Estados Unidos, que os cientistas encontraram a bactéria que utiliza arsênio no lugar do fósforo. O lago é conhecido pelas altas concentrações de arsênio e pela altíssima salinidade (Robert Harding/Latinstock)

Após um misterioso e incomum anúncio de entrevista coletiva feito pela Nasa, um famoso blogueiro americano, Jason Kottke, especulou na segunda-feira: “Teria a Nasa descoberto vida extraterrestre?” Foi o suficiente para atiçar os aficionados por ETs e gerar uma onda de boatos na internet. No dia seguinte, porém, o editor da revista The Atlantic, Alexis Madrigal, desmentiu Kotkke: “Não é nada disso”, tuitou. Mas o certo seria afirmar: “não é bem isso”. Conforme revelado nesta quinta-feira, a Nasa descobriu uma bactéria que se comporta como um ser extraterrestre – ou como os cientistas imaginam que um organismo assim se comportaria. Mas o achado foi feito em solo terrestre, ou melhor, em um lago da Califórnia onde a concentração de arsênio é altíssima.

O lago Mono é conhecido pela hipersalinidade e pela alta concentração de arsênio. Em grandes quantidades, este elemento químico é tóxico para a maioria dos seres vivos. Mas o microorganismo descoberto pela Nasa conseguiu se adaptar ao ambiente hostil, substituindo o fósforo – um dos seis elementos considerados essenciais à vida – pelo arsênio. O estudo será publicado na revista Science e foi liderado pelo Instituto de Astrobiologia da Nasa.

O que isso pode nos dizer sobre a vida fora da Terra? Um parâmetro importante para considerar outros planetas e luas mais ou menos favoráveis ao surgimento da vida são as concentrações dos elementos químicos considerados fundamentais. A bem sucedida substituição do fósforo por arsênio indica haver chances para a vida mesmo sob condições consideradas adversas. Isso aumenta as perspectivas de desenvolvimento da vida e amplia o escopo das buscas por formas extraterrestres.

A base da vida - Cerca de 98% do corpo humano é formado por apenas seis elementos: carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, enxofre e fósforo. São os elementos-chave da vida. Combinados, formam os principais grupos de compostos orgânicos: as proteínas, os carboidratos (como a glicose), os lipídios (como as gorduras) e os ácidos nucleicos (o DNA e o RNA). Em tese, é possível que uma combinação diferente de elementos na tabela periódica exerça as mesmas funções vitais. Como o arsênio possui propriedades químicas semelhantes ao fósforo, cientistas já haviam teorizado que seria possível trocar um elemento pelo outro e ainda manter a estrutura física das moléculas. Mas isso não havia sido observado na natureza.

Partindo dessa ideia, a equipe de pesquisadores liderados pela bioquímica Felisa Wolfe-Simon isolou uma cultura de bactérias da família Halomonadaceae do Lago Mono. Esse lago supersalgado é considerado inóspito para a maioria dos seres vivos. Os cientistas cultivaram as bactérias em uma solução salina de fósforo e foram alterando a concentração gradativamente, substituindo o elemento por arsênio. As bactérias conseguiram se adaptar à solução e passaram a integrar o arsênio na sua estrutura celular. Em vez de fósforo, os pesquisadores passaram a encontrar arsênio nas moléculas.



Por causa dessa descoberta a ciência terá que fazer um “busca mais profunda do conceito da arquitetura da vida”, diz Vera Solferini, bióloga do Departamento de microbiologia do Instituto de Biologia da Unicamp. Ela destaca que as pesquisas que buscam a origem da vida terão o horizonte ampliado. De acordo com os autores da pesquisa, a vida como a conhecemos exclui alguns elementos e inclui outros. “Tudo leva a crer que essas não são as únicas opções”, destaca o artigo. Mas Felisa acredita que a maior descoberta não está no Lago Mono. “Se um organismo pode realizar algo tão inesperado na Terra, o que mais a vida pode fazer que não vimos ainda?”, pergunta. “É hora de descobrirmos”.






















quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Aula de Bioenergética - UVA

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Confira os 7 pendrives mais incríveis – e únicos – do mundo

Já vou avisando: assim que você colocar os olhos no primeiro pendrive dessa lista do site ForeverGeek, tudo vai mudar. De repente, aquele USB humilde e funcional (e que já passou por tantos arquivos mal-intencionados junto com você) simplesmente não terá mais graça. Mas gente, tem como resistir a esses pens incríveis? Além de lindos e divertidos, todos eles são feitos em edição limitada. Os preços podem ser meio salgados, mas não custa mostrar essa lista, como quem não quer nada, para aquele seu parente querido que ainda não sabe o que comprar para você no Natal

Delorean Time Machine Hard Drive

Vamos começar a lista detonando! Essa réplica perfeita de DeLorean com capacitador de fluxo é de deixar qualquer fã da série De Volta Para o Futuro apaixonado. Além de muito lindo, é também um ótimo pendrive, com memória de 500 GB. Segura essa, Marty!

Preço: 250 dólares. À venda aqui.



USB Steampunk

O dono dessa belezinha feita de cobre, vidro, latão e pedacinhos de relógio pode se orgulhar de ter um artefato feito único. Cada pendrive desse é ligeiramente diferente do outro, pois cada um dos ornamentos é feito à mão. A memória de 8 GB serve para quem não precisa armazenar grandes arquivos. Mas confessa: você teria coragem de usá-lo?

Preço: 225 dólares. À venda na Etsy.



Transforming USB Flash Memory

O armazenamento desse disco removível é de apenas 2 GB. Mas nada disso importa. É um pendrive Transformer, gente! Sem mais.

Preço: 45 dólares. À venda na Big Bad Boy Store.


Mechanical Memory Key

Tenho uma boa e uma má notícia para você. A boa é que esse é um dos pendrives mais incríveis que existem. Quando conectado ao computador, uma luz verde acende por baixo dessas pequenas roldanas que você está vendo aí na foto, criando uma impressão de movimento bem peculiar. A má notícia? Esse belo pen de 16 GB está esgotado e sem previsão de retorno.

Preço: Não disponível. À venda na Etsy.

Lego 2×2 USB

É isso mesmo que você está pensando! A marca databrick, coordenada por Stefan R, é especializada em transformar pecinhas de Lego em gadgets úteis e simples. Além do pendrive de blocos, você pode encontrar bonecos adaptados em discos de até 16 GB, como esse mestre Yoda aqui.

Preço: 130 dólares. À venda na Etsy.



Miniatura de máquina fotográfica Canon

Esse pendrive de 4GB é o máximo da edição limitada. Atualmente, só é possível encontrá-lo à venda no Ebay. Para conectá-lo à porta USB, é preciso retirar a lente frontal, imitando mesmo uma câmera profissional.

Preço: 122 dólares, à venda no Ebay.



Call of Duty: Black Ops Dog Tag USB

Esse pendrive de 1 GB foi feito especialmente para os fãs de Call of Duty. O colar, que tem o símbolo do game impresso, só pode ser adquirido como brinde de um mouse especial para o jogo. Você compraria?

Preço: 91 dólares. À venda na Amazon.




Pessoas que transmitiram o HIV podem ser identificadas por testes de DNA



Estudos de biologia evolutiva permitem rastrear cadeia de infecção por HIV

Estudos de DNA vêm sendo utilizados para vincular suspeitos a cenas dos crimes e até mesmo para identificar pessoas que tenham infectado outras com vírus do HIV.

Um estudo recente, publicado em novembro no Proceedings of National Academy of Sciences, explica como uma abordagem filogenética pode mostrar a evolução viral em diferentes pessoas, permitindo descobrir quem transmitiu o vírus para quem.

"Esse é o primeiro estudo de caso para estabelecer a direção da transmissão do vírus HIV", explica Mike Metzker, pesquisador da Baylor College of Medicine e co-autor do estudo.

“A análise do HIV não é tão simples quanto o estudo de DNA usado para identificar uma amostra de sangue ou de cabelo de uma determinada pessoa. A dificuldade se deve às altas taxas de mutações genéticas sofridas pelo vírus”, complementa Metzker. Para resolver isso, os pesquisadores estudaram o caminho reverso da mutação viral. Depois de realizar uma análise filogenética das amostras em um teste cego ( quando os pesquisadores não têm informações sobre as amostras), Metzger e seus colegas foram capazes de determinar a pessoa mais provável de ter contaminado outros.

Fonte: Scientifican american

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Como o HIV ataca as células

Dia Internacional de combate a AIDS

Gel e uso preventivo de antirretrovirais trazem esperanças no combate à Aids



A Aids matou no ano passado cerca de dois milhões de pessoas no mundo, mas 2010 traz um certo otimismo com a redução de novas infecções, os novos tratamentos contra a doença e os meios adicionais para prevenir a transmissão.


Neste Dia Mundial de Luta contra a Aids (1º), os especialistas e as associações recordam que, desde o início da epidemia, cerca de 30 milhões de pessoas morreram no mundo por causa desta doença.

No entanto, as novas transmissões reduziram 19% desde 1999, alcançando a cifra de 2,6 milhões em 2009, segundo a Unaids.

Além disso, o acesso aos tratamentos se ampliaram: mais de 5,2 milhões de pessoas tiveram acesso a antirretrovirais nos países em desenvolvimento, quando em 2004 não chegavam aos 700.000 beneficiários.

No entanto, o diretor executivo da Unaids, Michel Sidibé, recordou que 10 milhões de pessoas continuam à espera de um tratamento e os avanços obtidos até agora são muito frágeis por causa da situação financeira mundial.

Atualmente existe uma série de ferramentas para a prevenção e redução de riscos: o preservativo, tratamento de doenças sexualmente transmissíveis, conhecimento de seu status sorológico graças à detecção, à circuncisão masculina, programas de troca de seringas e meios terapêuticos de substituição da heroína para os viciados.

Mas na falta de uma vacina, os pesquisadores tentam acrescentar novos métodos a este arsenal.

Um dos mais promissores é a utilização dos antirretrovirais em pessoas não infectadas.

Também está se ensaiando um gel microbicida que cria uma "esperança para toda uma geração de mulheres", segundo Sidibé.

Publicado em julho passado, o estudo realizado pelo centro Caprisa em mulheres sul-africanas demonstrou que um gel vaginal microbicida a base de Tenofovir (um antirretroviral) reduz em 39% o índice de infecção sexual.

Recentemente, um estudo clínico publicado no New England Journal of Medicine demonstrou que uma dose cotidiana de uma combinação de antirretrovirais, tomados por via oral, reduz em 44% o risco de infecção pelo vírus responsável pela Adis (HIV) nos homossexuais.

Pesquisadores franceses e canadenses também falam de um tratamento 'a la carte', ou seja, administrável quando a pessoa (homossexual masculino) for manter uma atividade sexual.

Além das experiências com animais, outros dados médicos apoiam esta estratégia: desde 1994 já foram utilizados com êxito os antirretrovirais para reduzir o risco de transmissão do vírus da mulher grávida a seu filho e nos casos de exposição acidental ao vírus (por exemplo, usando uma agulha contaminada).

Os tratamentos (triterapêuticos) que reduziram espetacularmente a mortalidade nas pessoas infectadas pelo HIV também reduzem as quantidades de vírus no sangue e no esperma, o que contribui para limitar seu contágio.

Por fim, outra boa notícia é que uma pesquisa do Instituto de Métrica e Avaliação de Saúde da Universidade de Washington revela que as nações ricas quadruplicaram o financiamento de programas de saúde nos países pobres entre 1990 e 2010, fundamentalmente graças à maior conscientização da necessidade de lutar contra o HIV/Aids.