domingo, 19 de outubro de 2014

Órgãos em 3D e próteses mostram evolução de tratamentos com célula-tronco

Órgãos em 3D, próteses sob medida e casos de pacientes tetraplégicos que recuperaram a mobilidade foram alguns dos avanços debatidos durante o quarto Congresso Internacional sobre tratamentos inovadores com células-tronco, que termina nesta segunda-feira em Buenos Aires.

"Há apenas dois anos os modelos de órgãos 3D eram um projeto distante, e hoje quase chegamos a fabricar próteses sob medida", afirmou à Agência Efe Gustavo Moviglia, diretor do Centro de Pesquisa em Engenharia de Tecidos e Tratamentos Celulares, da Universidade Maimônides de Buenos Aires.

O pesquisador argentino apresentou os resultados de um teste clínico que dirigiu durante 12 anos no qual pacientes tetraplégicos e paraplégicos recuperaram a mobilidade dos membros.
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Pesquisadores desenvolvem órgãos biônicos para transplantes humanos19 fotos

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A empresa francesa Carmata apresentou em julho de 2013 um coração artificial com tecido bovino que será testado em breve por pacientes com problemas cardíacos. O material orgânico (formas elípticas marrons, na ilustração à direita) substitui o plástico nas superfícies irrigadas pelo sangue, diminuindo os problemas de coagulação após o transplante, segundo o fabricante. O órgão biônico é regulado por sensores, softwares e microeletrônicos e funciona com duas baterias externas de íons de lítio Carmat
"Chegamos a uma técnica muito clara e concreta, com células obtidas a partir da gordura dos próprios pacientes, que precisava ser testada em um caso clínico perfeito, ou seja, com os piores pacientes que poderia haver, aqueles crônicos com uma lesão congênita", explicou o pesquisador.

Os oito pacientes que fizeram parte do ensaio de Moviglia, três tetraplégicos e cinco paraplégicos com entre três e 12 anos pós-acidente, recuperaram total ou parcialmente a mobilidade dos membros e não foram registrados efeitos secundários adversos graves, expôs o médico.

"Um dos pacientes que pintava com a boca agora pode fazê-lo com a mão, por exemplo", contou médico argentino.

"Estas lesões afetam 300 mil pessoas só nos Estados Unidos e entre 30 mil e 60 mil na Argentina, e os resultados alcançados abrem um novo panorama tanto para os pacientes, como para os tratamentos com células-tronco", acrescentou.

Uma das maiores questões levantadas por Moviglia para a ampliação do uso de células-tronco é a regulação internacional, porque cada país tem autonomia para determinar o destino dessas células e o tipo de informação dado à sociedade a respeito.

"Já há várias sociedades internacionais que acreditam que o que fazemos segue critérios científicos, isso também vai permitir informar melhor a sociedade", afirmou o pesquisador argentino.

"Às vezes o que chega para as pessoas é que implantar uma célula-tronco é como dar uma aspirina e é exatamente o oposto disso; não é uma droga que tem uma ação química pontual, mas um organismo vivo que, quando colocado dentro do corpo começa a interagir e canalizamos essa ação para que solucione problemas de saúde".

O especialista argentino afirmou que, apesar dos avanços na área de tratamento celular serem rápidos e terem se potencializado nos últimos anos, isto só acontece hoje em consequência de estudos anteriores "lentos e trabalhosos", alguns sedimentados há meio século.

Moviglia ressaltou que o design de órgãos evolui mais nas especialidades de cardiologia, plástica e urologia. Ele acredita que ainda há muito para avançar nas áreas neurológica, cardiológica e traumatológica e confia que o próximo congresso traz evoluções significativas que superarão as atuais expectativas.

Fonte: www.uol.com.br

Ilhas de plástico matam 1,5 milhão de animais por ano

Cerca de 1,5 milhão de aves, peixes, baleias e tartarugas morrem ao ano por causa de dejetos plásticos no mar. E o problema pode se agravar: segundo estudos científicos divulgados em Quito, cinco "ilhas" desses resíduos flutuam nos oceanos Pacífico, Atlântico e Índico.

"A cada ano, os plásticos (no mar) matam 1,5 milhão de animais", afirmou Laurence Maurice, do Instituto de Pesquisas para o Desenvolvimento (IRD) francês. "No Pacífico Norte, 30% dos peixes ingeriram plástico em seu ciclo de vida", acrescentou.

Durante a Semana da Água, organizada pela embaixada francesa em Quito, Maurice, que é diretora mundial de pesquisas do IRD, apresentou estudos recentes sobre o que chama de "o sétimo continente": massas não compactas de dejetos plásticos que estão à deriva nos três principais oceanos.

"A (ilha de dejetos) do Pacífico é a maior. As outras são um pouco menores", disse Maurice, em entrevista à AFP.

Por volta de 1997, essa massa de resíduos foi avistada pela primeira vez no Pacífico Norte, entre a costa californiana e o Havaí. Desde então, triplicou seu tamanho e, agora, ocupa uma superfície de 3,5 milhões de km². Esta ilha cresce, aproximadamente, "80.000 km2 por ano", alertou essa doutora em Hidrogeoquímica Ambiental.

Um artigo publicado em 2012 por especialistas da Universidade da Califórnia na revista "Biology Letters", da sociedade de pesquisas britânica Royal Society, já advertia que esses resíduos de microplásticos - partículas menores a cinco milímetros - formavam uma "sopa mortal" para o ecossistema marinho.

Expedições científicas encontraram esses dejetos a até 1.500 metros de profundidade no mar.

Albatrozes que comem tampas de garrafa Maurice explicou que essas massas flutuantes não chegam à costa, pois as correntes marinhas as arrastaram para o centro de redemoinhos gigantes, onde a água é "como um lago".

Uma garrafa d'água pode levar vários meses para chegar a esses redemoinhos. "O que acontece é que, no final, não vai se degradar, porque a ação das bactérias e dos fungos não ataca o plástico", afirmou a especialista, acrescentando que 80% do plástico que está no mar é polietileno, o material do qual esses recipientes são feitos.

Durante a conferência em Quito, Maurice disse que as espécies marinhas confundem os resíduos plásticos com comida e morrem, ao ingeri-los.

"Encontraram no estômago de uma baleia cachalote peças de estufas para cultivo de tomate que foram destruídas por uma tempestade e entraram no mar", contou a pesquisadora, acrescentando que do animal foram extraídos 20 quilos de plástico.

Aves marinhas como os albatrozes também acreditam que os restos plásticos que flutuam no mar são alimento.

"Os pais dessas aves estão dando pequenos pedacinhos de plástico a seus bebês (...) Um jovem albatroz foi encontrado morto com o estômago cheio de plástico, porque os pais estão confundindo comida com tampas de garrafa", comentou a especialista.

Em 2011, a Sociedade para a Conservação dos Golfinhos e das Baleias (WDCS, na sigla em inglês) destacou que os resíduos plásticos constituem uma ameaça mortal para golfinhos e baleias, porque eles ingerem, ou se enrolam nesse material.

Fonte: www.uol.com.br

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Cientistas criam um órgão inteiro dentro de animal pela primeira vez

Nós já vimos por aqui que pesquisadores conseguem criar órgãos – como rins e fígados – em laboratório. Mas e se pudéssemos cultivá-los diretamente em um organismo vivo, apenas injetando algumas células? Parece que agora podemos – pelo menos, de uma forma limitada.
Cientistas da Universidade de Edimburgo (Reino Unido) criaram um timo – órgão especializado do sistema imunológico – em camundongos. Ele produz os linfócitos T, que combatem vírus, bactérias e tumores.
A equipe começou “reprogramando” os genes de células obtidas um embrião de camundongo. Dessa forma, elas começaram a se transformar em células encontradas no timo.
Elas foram então inseridas em camundongos, junto a outras células de suporte, e desenvolveram um timo totalmente funcional, plenamente capaz de produzir os linfócitos T. Os resultados foram publicados na revista Nature.
No entanto, isso não quer dizer que podemos começar a criar corações, pulmões e rins dentro dos seres humanos: os ratos de laboratório têm estruturas anatômicas muito menos complexas, e o timo é um dos órgãos mais simples em qualquer animal, diz a BBC.
Além disso, os cientistas ainda precisam ter certeza de que os órgãos cultivados desta maneira não começarão a crescer de forma incontrolável, desenvolvendo tumores cancerígenos. Mas ei, é um começo. 
Fonte: uol